Filmes de Assalto

Michael Mann

Inspirado no assalto fracassado de Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, novo filme de Sidney Lumet, nosso novo Tops contempla esse sub-gênero charmoso, e muitas vezes propício para o cômico – como mostram muitos exemplos da lista. (SA)

Baixeza (Criss Cross, 1949), de Robert Siodmak

Provavelmente o melhor dos filmes noirs de Siodmak, que parece aqui mais preocupado em executar a trama fatalista com precisão do que em filmar sombras de grande contraste. (FF)

O Segredo das Joias (The Asphalt Jungle, 1950), de John Huston

A crítica francesa, Truffaut à frente, reclamou que o filme todo gira em falso, muito por causa de seu final. O talento de Huston, no entanto, raramente ficou tão claro quanto nesta deliciosa farsa. (SA)

Bob, O Jogador (Bob Le Flambeur, 1955), de Jean-Pierre Melville

Melville realizou o igualmente bom O Círculo Vermelho, mas este Bob, O Jogador veio antes, e é um de seus melhores filmes. (SA)

O Quinteto da Morte (The Ladykillers, 1955), de Alexander Mackendrick
Esqueçam a refilmagem mediana dos irmãos Coen. O original de Mackendrick celebra a boa fase do cinema inglês – graças aos estúdios da Ealing – , e a arte de Alec Guiness. (SA)

O Grande Golpe (The Killing, 1956), de Stanley Kubrick

Não é difícil achar quem considere este o melhor filme de Kubrick. Não é absurda a consideração. Palmas para Sterling Hayden. (SA)

Os Eternos Desconhecidos (I Soliti Ignoti, 1958), de Mario Monicelli
Uma gag espetacular a partir de uma manchete de jornal. O melhor filme de Monicelli é também uma das comédias mais engraçadas dos anos 50. (SA)

Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias

A bobeira generalizada se contenta de ver um filme de gênero no Brasil. O bom senso pede, há muito tempo, que aconteça com mais freqüência. Os atentos percebem que Farias sempre se dedicou a isso. (SA)

Perigo: Diabolik (Danger: Diabolik, 1968), de Mario Bava

Aventura deliciosa e um tanto cartunesca, com Mario Bava se deleitando com uma rica paleta de cores a sua disposição. (FF)

Os Implacáveis (The Getaway, 1972), de Sam Peckinpah

Sam Peckinpah dirigiu, mas Walter Hill escreveu esta adaptação do clássico de Jim Thompson e a sensibilidade do segundo é visível ao longo de todo este filme de caçada. (FF)

Os Quatro Picaretas (The Hot Rock, 1972), de Peter Yates

Talvez seja o melhor filme de Yates, e certamente é um dos filmes mais influentes do sub-gênero assalto no cinema americano. (SA)

O Último Golpe (Thunderbolt and Lightfoot, 1974), de Michael Cimino

O primeiro filme de Cimino segue a receita dos filmes de golpistas à risca, mas já apresenta todo o seu talento para compor grandes imagens e tem uma inspirada dupla de atores (Clint Eastwood e Jeff Bridges) no seu centro. (FF)

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975), de Sidney Lumet

O mais legal é que os assaltantes são a antítese de Fogo Contra Fogo (também com Al Pacino, mas do outro lado da moeda). Meros aprendizes, amadores desmontando um brinquedo muito complicado para eles. Porque são movidos pela paixão, claro. (SA)

O Sócio do Silêncio (The Silent Partner, 1978), de Daryl Duke

Esta pequena produção canadense é um destes filmes B perfeitos na sua execução e economia, do roteiro esperto (cortesia de um jovem Curtis Hanson) aos atores centrais (Eliott Gould e Christopher Plummer) e a direção sólida de Duke. (FF)

Profissão Ladrão (Thief, 1981), de Michael Mann

Primeiro longa para o cinema de Mann, este estudo de personagem com um James Caan inspiradíssimo ao centro já tem tudo que marcaria a sua filmografia posterior. (FF)

Carmen (Prenom: Carmen, 1983), de Jean-Luc Godard

Godard não se rende a gêneros, mas há um assalto no filme. E ocupa boa parte de sua duração. Bela desculpa para colocar este que é o melhor filme de toda a lista. Mesmo com Kubrick, Monicelli e Mackendrick na parada. (SA)

Não Tenho Troco (Quick Change, 1990), de Howard Franklin e Bill Murray

Após o segundo Caçadores de Fantasmas, este filme fez com que Murray fosse considerado um dos melhores atores cômicos de sua geração, fato confirmado com Feitiço do Tempo, três anos depois. (SA)

Os Caçadores de Emoção (Point Break, 1991), de Kathryn Bigelow

A grande sacada, já muito comentada, é o disfarce dos assaltantes, que usam máscaras de ex-presidentes dos EUA. Um dos melhores trabalhos da sempre subestimada Kathryn Bigelow. (SA)

Fogo Contra Fogo (Heat, 1995), de Michael Mann

O filme de Michael Mann traz assaltantes de estirpe, e tem brilhantes cenas de guerrilha urbana, graças a seu talento absurdo como encenador. (SA)

Uma Saída de Mestre (The Italian Job, 2003), de F. Gary Gray

O melhor filme de Gray é uma deliciosa homenagem a dois filmes sensacionais de Peter Yates: Bullit e Os Quatro Picaretas. (SA)

O Plano Perfeito (The Inside Man, 2006), de Spike Lee

O Spike Lee mais comportado no que diz respeito aos comentários raciais. Mas uma única cena tem tanta força quanto Faça a Coisa Certa: “it’s a fucking arab”. (SA)