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(Epic)

Uma triste impressão que me deu quando reouvia o novo álbum (duplo, com 103 minutos - o tempo médio de um filme) de uma das bandas de coração do metal era a de que eles haviam feito algo genérico. Apesar de mais progressivo do que qualquer álbum anterior, de ser todo estruturado como uma obra conceitual, e de ser intercalado com vinhetas climáticas, nada é muito diferente do que rola no metal atual, e essa constatação não deixa de ser desanimadora.
A banda de Rob Halford continua num caminho parecido com o de Angel of Retribution, o disco anterior: moldar sua sonoridade ás exigências do mercado heavy metal atual, abdicando de uma identidade anterior em nome da sobrevivência. Nostradamus é pesado? É, sim senhor. É agradável de se ouvir? Na maior parte do tempo, certamente, muito agradável. Glenn Tipton e K.K.Downing continuam arrebentando nas guitarras? Claro, nem teria como deixar de ser assim. O que falta, então, a Nostradamus? A resposta vem precisa e cruel: alma. Uma coisa que o Judas Priest parece ter perdido em algum momento das gravações de Defenders of the Faith, em 1983 - um bom disco, ainda assim - e chegado bem perto de recuperar com Ram it Down, em 1988, e Painkiller, em 1990. Mas que, percebe-se claramente, está ausente em quase tudo que a banda fez desde então.
É de se notar o esmero com os arranjos, no que parece ser uma volta aos primórdios da banda, quando o caminho ainda não estava delineado e eles flertavam com o rock progressivo. O segundo disco de Nostradamus, em especial, é ainda mais climático, e consideravelmente melhor que o primeiro. Cheio de lentas, parece provar que o Judas se sai melhor em baladas mais épicas, no limite do ridículo, do que em coisas mais sentimentais. Nesse sentido, ajuda a experiência dos músicos, que impede que o disco seja genérico em demasia e permite que algum resquício de alma apareça. No entanto, e apesar das três estrelas, é pouco para uma das bandas de rock mais importantes de todos os tempos.
Sérgio AlpendreRevista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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