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(Columbia)

O ciclo de hype se tornou tão intenso nesses tempos de Myspace e downloads que ocasionalmente encontramos bandas como este Black Kids, ao qual a inevitável reação negativa ao hype veio não na altura do segundo disco (Art Brut), ou três meses depois do lançamento razoavelmente bem sucedido do disco de estréia (Vampire Weekend), mas na mesma semana que seu primeiro disco é lançado. Black Kids é um bom caso de estudo: se era fácil entender porque quando “Formed a Band” começou a circular muitos rapidamente abraçaram a idéia de que Art Brut tinha potencial para ser uma grande banda, é difícil imaginar porque se concluiria o mesmo a respeito dos Black Kids depois de escutar “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You”. Trata-se de uma canção deliciosamente grudenta, mas é também exatamente o que imaginamos que um bando de garotos com talento para produzir uma batida envolvente que passaram muito tempo ouvindo new wave e rock inglês dos anos 80 produziria, sem aquele extra que sugeriria que a banda tinha potencial para algo mais do que algumas boas canções derivativas por álbum. Mas isto foi o suficiente para grande comoção na web, um contrato com uma major (Columbia), um primeiro álbum com produtor famoso (Bernard Butler, ex-Suede), single de sucesso na Inglaterra e por fim uma série de comentários na linha “eles não são tão bons assim” ou pior.
Outra coisa que torna a recepção aos Black Kids interessante é que o maior problema da banda, um desejo excessivo em agradar, sempre esteve presente no seu som, apesar de aparecer bem amplificado no disco. Há algo de asfixiante em Partie Traumatic, canção a canção, o mesmo tom de "por favor gostem de nós" se repete. Chega a ser quase tocante em alguns momentos, como se o hype todo tivesse feito a banda saltar o primeiro disco direto para o segundo. Na maior parte do tempo este excesso combinado com a produção de Butler – que por vezes deixa as canções genéricas demais – tende a engessar o disco. Não é muito fácil escutar Partie Traumatic da primeira a última faixa, não porque exista algo muito errado com qualquer canção, apesar de algumas delas serem visíveis tapa-buracos, mas porque há um peso na leviandade do disco que vai aos poucos cansando nossos ouvidos.
Ao mesmo tempo é difícil entender porque alguém se irritaria com esta estréia dos Black Kids (ao menos entre aqueles que tiverem algum interesse neste tipo de indie pop). A banda se lança com energia sobre cada uma das canções, o vocalista Reggie Youngblood faz a melhor imitação possível de Robert Smith, as referencias nem sempre são as mais óbvias (dá para se ouvir um pouco de Orange Juice ocasionalmente no som deles por exemplo) e “Listen to Your Body Tonight” ou, sim, “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You” ficam contigo muito depois de ouvi-las. Nada em Partie Traumatic sugere que os Black Kids irão produzir em longo prazo algo memorável como Bang Bang Rock n’Roll, mas não há nada que nos impeça de apreciar as melhores canções do disco. Os Black Kids terminam numa posição impossível diante do hype formado em torno deles: sem ele evitariam os comentários mais negativos que estão recebendo, mas também não justificariam estar sendo resenhados aqui.
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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