Scorpions no Brasil, mais uma vez

por Sérgio Alpendre

Como andará o Scorpions? A banda que teve altos momentos até o início dos anos 80, caiu vergonhosamente com a popularização do metal farofa, e quando tentou se adaptar aos novos tempos acabou virando o Roxette. Mas já foi grande.

Segue uma discografia comentada, para guiar o leitor que quiser conhecer melhor a banda antes de encarar o show. Uma dica, concentre-se no período entre 1975 e 1982. Você só terá a ganhar com isso



Lonesome Crow (1972)

O mais engraçado é ouvir a voz de Klaus Meine, como a de um adolescente que se esforça para cantar mais grosso. Ainda bem que ele desencanaria disso logo depois.

Destaques: I'm Going Mad, In Search of the Piece of Mind, Lonesome Crow.

 

Fly to the Rainbow (1974)

A sonoridade ainda é parecida com a do disco anterior. Ao menos Meine assume sua voz de taquara rachada e tudo se arredonda mais facilmente.

Destaques: Speedy's Coming, Fly People Fly, Fly to the Rainbow.

 

In Trance (1975)

A sonoridade típica da banda dá as caras com força, firmando o nome de Ulrich Roth como discípulo fiel de Jimi Hendrix e como um possível grande compositor (o que viria a ser confirmado já no disco seguinte). Grandes faixas aparecem aqui.

Destaques: Dark Lady, Living and Dying, Robot Man.

 

Virgin Killer (1976)

Um discaço, com Ulrich Roth mais uma vez arrasando, agora até nas composições. É o mais famoso dessa primeira formação, e o melhor junto com o disco seguinte. Virgin Killer ainda tem as melhores baladas da banda até então.

Destaques: Pictured life, In Your Park, Hell-Cat, Yellow Raven.

 

Taken by Force (1977)

Uma ode à inspiração de Ulrich Roth, genial em "The Sails of Charon". O clássico ainda tem a espetacular "Born to Touch Your Feelings", a impressionante "Your Light" (outra composição de Roth) e "Steamrock Fever", que é simplesmente a melhor faixa da carreira do Scorpions.

 

Tokyo Tapes (1978)

Duplo ao vivo cheio de energia, e um flerte com o público japonês.

Destaques: Steamrock Fever (claro), Pictured Life, Dark Lady.

 

Lovedrive (1979)

Ulrich Roth faz muita falta. Mas Matthias Jabs até que começa bem, se pensarmos na fogueira em que se meteu substituindo uma fera como Roth. A sonoridade já está com um pé nos anos 80, e seria aprimorada no disco seguinte. Mas os melhores momentos são magníficos.

Destaques: Loving You Sunday Morning, Another Piece of Meat, Is There Anybody There.

 

Animal Magnetism (1980)

Uma mulher, um homem e um cachorro. O diferencial é a posição de cada um na capa. Scorpions machista como sempre, já se entendendo perfeitamente com o novo guitarrista Matthias Jabs.

Destaques: Make it Real, Lady Starlight, Only a Man, Animal Magnetism.

 

Blackout (1982)

Mais um grande disco, cheio de melodias inspiradas e com uma lenta de levar ao choro compulsivo: "When the Smoke is Going Down". Mas há, ainda, "China White", "You Give me All I Need" e a faixa título, de impactante energia.

 

Love at First Sting (1984)

Muito vendido, muito tocado, provou-se mais frágil com a freqüência com que era ouvido. Um sinal de alerta para o crescente comercialismo, ainda que o disco siga a mesma estrutura de Blackout.

Destaques: The Same Thrill, Crossfire, Still Loving You.

 

World Wide Live (1985)

Um duplo ao vivo megalomaníaco e desnecessário, apresenta a banda para a futura decadência.

 

Savage Amusement (1988)

Triste como qualquer rendição.

 

Crazy World (1990)

Por que não deixar o metal farofa com quem saiba fazê-lo?

 

Face the Heat (1993)

Uma virada de mesa estava em curso, mas a banda ainda está enferrujada.

 

Live Bites (1995)

Mais um ao vivo? Assim não há reação possível.

 

Pure Instinct (1996)

Disparado o melhor desde Love at First Sting. O único bom, na verdade. Ao menos investe melhor no peso e na rapidez do que o anterior de estúdio, Face the Heat.

Destaques: Wild Child, Does Anyone Know, Soul Behind the Face.

 

Eye to Eye (1999)

Pior que Roxette. E eu pensei que isso nunca fosse possível.

 

Moment of Glory (2000)

Quem deu a eles a maldita idéia de tocar com orquestra?

 

Acoustica (2001)

Caça-níqueis miserável.

 

Unbreakable (2004)

Um penúltimo suspiro, insuficiente.

 

Humanity Hour 1 (2007)

Já era. Até engana nas primeiras faixas. Depois se revela mais um triunfo da mediocridade.

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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