homeSeçõescontatoquizlinksAssine a Paisàanuncieonde comprar

 

Criticas

007 - Cassino Royale, de Martin Campbell
Happy Feet: O Pingüim, de George Miller

 

 

 
Cassino Royale

CASINO ROYALE.
(EUA/Alemanha/Inglaterra/Rep. Tcheca, 2006), De Martin Campbell. Com Daniel Craig, Eva Green, Giancarlo Giannini, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Isaach de Bankolé, Jeffrey Wright. Columbia. Projeção: 2.35:1. 144min..


Campbell já havia realizado um episódio da série, justamente o que promovia a estréia de Pierce Brosnan no papel. Agora volta ao agente no muito esperado episódio que marca a estréia de Daniel Craig, que, noves fora, se revela, ao menos para mim, como o melhor ator a representar o agente. Por que? Porque Craig possui o charme de Brosnan, o vigor físico de Moore, o cinismo de Connery e o poder de interpretação de Timothy Dalton. Nada disso teria importância se não rolasse uma química entre o ator e o personagem. Mas, do jeito que vemos na tela, Craig parece ter nascido para ser James Bond, e com isso já passamos por um grande obstáculo que poderia surgir entre o filme e o espectador, o de antipatizarmos com o protagonista tendo uma nova cara. Talvez o acerto tenha ocorrido por conta de Craig ser muito diferente, tanto no físico quanto na postura, de Brosnan. Essa diferença provavelmente serviu para evitar comparações de estilo entre um e outro. Mas não devemos esquecer que Campbell é um artesão eficiente, como podemos comprovar em A Máscara do Zorro e Limite Vertical. Muito do charme deste novo episódio vem de sua direção segura.

Em Cassino Royale temos um prólogo sofrível em p&b, mostrando um agente cruel e frio, que daria a entender que Craig não teria muito jogo de cintura. Mas o que se vê dos créditos em diante é um Bond muito mais humano que o de costume, capaz de errar, de agir levianamente, de se zangar por ter sido confundido com um manobrista – e graças a isso arrumar um alvoroço que facilita sua ação no clube de tênis - , mas acima de tudo um agente capaz de se apaixonar, e de abandonar um serviço que parecia ser sua razão de viver em função dessa paixão. Um neófito, por fim, um aprendiz de herói, mas que em alguns momentos adquire força e inteligência de um super-herói. Graças a esse envolvimento amoroso (com Eva Green na jogada, quem há de culpá-lo?), temos uma chance maior de conseguir empatia com ele, mas temos também um epílogo banal, e que parece desnecessário, fazendo com que o filme ganhe uma barriga indesejável e pareça mais longo do que realmente é. Apesar desse problema, que não é de se desprezar, é um dos melhores filmes da série.

Sérgio Alpendre

 

 

 
 
Happy Feet: O Pingüim

HAPPY FEET.
(EUA/Austrália, 2006), De George Miller. Com Elijah Wood, Robin Williams, Brittany Murphy, Hugh Jackman, Nicole Kidman, Hugo Weaving. Warner. Projeção: 2.35:1. 108min.


George Miller retorna ao cinema após um hiato considerável, desde que deu vida a segunda aventura do porquinho Babe, em 1998. Miller retoma aqui algumas de suas tendências, em especial de mostrar um mundo caótico, torto, onde criaturas conflitantes tem de se compreender para continuar a sobreviver. É assim que criou Mad Max, é assim que deu vida a Baby (primeiro como produtor, depois como diretor) e é nestas circustâncias que impõe a existência de Mambo, seu pingüim marginalizado de Happy Feet. Miller pode até parecer estar realizando uma animação comum, mas seus feitos mais corajosos aqui não são na verdade o teor político e ambientalista que coloca na obra (embora seja notável e bem articulado), mas a forma que dá a ela. Sua animação não é inovadora, chega a ser até comum para os padrões atuais de Hollywood, mas ela tem uma constante busca de transformar a digitalização em algo mais táctil, mais próximo de algo que esteja sendo filmado. Em suma: Miller faz animação como filma suas obras anteriores, no que diz respeito a suas tendências estéticas no geral. Um dos pontos mais notáveis do filme é justamente o uso de humanos reais quando eles entram em cena. Dentro da lógica estética que o filme constrói, os humanos ali são mais que causadores do que afeta a vida dos pingüins, são os verdadeiros extra-terrestres que Mambo tanto falava. São a imagem que não pertence àquele espaço. É uma pena que Miller filme tão pouco.

Guilherme Martins

 


 
     
 
© Algo Mais Editora Ltda.