Campbell já havia realizado um episódio da série, justamente o que promovia a estréia de Pierce Brosnan no papel. Agora volta ao agente no muito esperado episódio que marca a estréia de Daniel Craig, que, noves fora, se revela, ao menos para mim, como o melhor ator a representar o agente. Por que? Porque Craig possui o charme de Brosnan, o vigor físico de Moore, o cinismo de Connery e o poder de interpretação de Timothy Dalton. Nada disso teria importância se não rolasse uma química entre o ator e o personagem. Mas, do jeito que vemos na tela, Craig parece ter nascido para ser James Bond, e com isso já passamos por um grande obstáculo que poderia surgir entre o filme e o espectador, o de antipatizarmos com o protagonista tendo uma nova cara. Talvez o acerto tenha ocorrido por conta de Craig ser muito diferente, tanto no físico quanto na postura, de Brosnan. Essa diferença provavelmente serviu para evitar comparações de estilo entre um e outro. Mas não devemos esquecer que Campbell é um artesão eficiente, como podemos comprovar em A Máscara do Zorro e Limite Vertical. Muito do charme deste novo episódio vem de sua direção segura.
Em Cassino Royale temos um prólogo sofrível em p&b, mostrando um agente cruel e frio, que daria a entender que Craig não teria muito jogo de cintura. Mas o que se vê dos créditos em diante é um Bond muito mais humano que o de costume, capaz de errar, de agir levianamente, de se zangar por ter sido confundido com um manobrista – e graças a isso arrumar um alvoroço que facilita sua ação no clube de tênis - , mas acima de tudo um agente capaz de se apaixonar, e de abandonar um serviço que parecia ser sua razão de viver em função dessa paixão. Um neófito, por fim, um aprendiz de herói, mas que em alguns momentos adquire força e inteligência de um super-herói. Graças a esse envolvimento amoroso (com Eva Green na jogada, quem há de culpá-lo?), temos uma chance maior de conseguir empatia com ele, mas temos também um epílogo banal, e que parece desnecessário, fazendo com que o filme ganhe uma barriga indesejável e pareça mais longo do que realmente é. Apesar desse problema, que não é de se desprezar, é um dos melhores filmes da série.
Sérgio Alpendre
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