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Livros
Dia 01/04:
Bruce Lee Definitivo, de Marco Antonio Lopes
Aforismos, de Bruce Lee
HQs
Dia 01/04:
Quadrinhos e capas de discos
Dia 16/03:
Cavaleiro da Lua, de Charlie Huston e David Finch
Dia 01/03
Quadrinhos independentes brasileiros Dia 15/02 Bob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos, de Harvey Pekar & Robert Crumb
Sanctuary, de Sho Fumimura & Ryoishi Ikegami
Grandes Astros Batman & Robin, de Frank Miller & Jim Lee
Grandes Astros Superman, de Grant Morrison & Frank Quitely
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Bob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos
Texto: Harvey Pekar
Desenhos: Robert Crumb
Conrad. 100 págs. P&B
O sagaz leitor da Revista Paisà já deve ter assistido ou pelo menos ouvido falar do filme Anti-Herói Americano (American Splendor, 2003, direção de Shari Springer Berman e Robert Pulcini), agora chegou a hora de ir fundo nessa onda e conhecer as histórias em quadrinhos que deram origem a esse filme. Em 1976 um maluco chamado Harvey Pekar juntou uma grana e praticamente intimou o desenhista Robert |
Crumb a colocar no papel suas histórias que retratavam sua vida em Cleveland, onde trabalhava como mensageiro em um hospital.
O que parecia fadado ao fracasso se transformou em um tremendo sucesso: Harvey Pekar conseguiu de forma singular transformar as coisas triviais do seu dia-a-dia, como uma ida ao supermercado ou suas dificuldades financeiras, em histórias incríveis repletas de uma magia singular na sua simplicidade e cheias de críticas à mídia, tudo isso valorizado pelo traço característico e único de Robert Crumb.
Só para ter uma idéia: Crumb, o homem que praticamente sozinho criou o termo quadrinho underground, nunca havia topado trabalhar em parceria com ninguém, Harvey com sua lábia de vendedor de discos, soube colocar o velho Crumb na linha e ambos se beneficiaram com o sucesso da revista. O leitor da Revista Paisà pode conferir mais detalhes sobre este genial desenhista no documentário Crumb (Crumb, 1995, direção de Terry Zwigoff).
Se você é um colecionador compulsivo ou alguma vez sentiu que sua vida estava rumando para lugar nenhum, com certeza vai gostar de conhecer o mundo de Harv & Bob.
Franklin Ruão |
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Sanctuary
Texto: Sho Fumimura
Desenhos: Ryoichi Ikegami
Conrad. 240 págs. P&B
O espaço aqui seria pequeno para descrever como o mangá tem influenciado toda uma geração de criadores nas mais diversas áreas. Apenas para ficar na superfície do tema, basta saber que as histórias em quadrinhos representam 40% de todo o material impresso no Japão.
Para entender isso, você pode começar lendo o lançamento da Conrad: Sanctuary, escrito por Sho Fumimura (autor de um mangá que inspirou o filme Mad Max) e desenhado por Ryoichi Ikegami, velho |
conhecido dos fãs brasileiros pelo seu trabalho com Crying Freeman.
Só estas credenciais já bastariam para garantir a qualidade desta revista, mas o leitor ainda vai encontrar nas páginas de Sanctuary uma história empolgante de dois criminosos vindos do Camboja que resolvem tomar conta do Japão e transformar o outrora pacato e conservador país no seu clube particular, para poderem desfrutar do que a vida tem de melhor: dinheiro e mulheres. Para isso, um deles resolve se juntar à máfia yakuza, enquanto o outro decide trilhar o caminho da política. Impossível não torcer para os bandidos neste quadrinho repleto de ação e mulheres nuas.
A abordagem ousada do tema e a maneira inovadora de contar essa história policial com ingredientes políticos fazem de Sanctuary um ponto de partida ideal para aqueles que desejam se iniciar nos quadrinhos japoneses, além de mostrar aos leitores a localização exata da fonte de inspiração de muita gente por aí.
F.R. |
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Grandes Astros Batman & Robin
Texto: Frank Miller
Desenhos: Jim Lee
Panini. 32 págs. Cor
Grandes Astros Superman
Texto: Grant Morrison
Desenhos: Frank Quitely
Panini. 32 págs. Cor |
Em teoria, a série Grandes Astros da DC Comics – cujas primeiras edições a Panini acaba de lançar – é de uma brilhante simplicidade: deixar artistas consagrados fazerem o que quiserem com os personagens mais icônicos da editora por 12 edições, com liberdade total para aproveitar como preferirem a bagagem acumulada por esses personagens.
Os resultados até aqui foram radicalmente opostos. Grandes Astros Batman & Robin é um completo desastre. Trata-se da milésima releitura da origem de Robin, feita no estilo noir excessivo que Miller consagrou com Sin City . Mas aqui Miller é apenas roteirista, e sem a sua experimentação como contador de histórias – a arte aqui é o estilo pin up correto e um tanto tedioso de Lee – ficamos apenas com os aspectos mais repelentes da personalidade artistica de Miller, sem nenhum dos seus muitos méritos como quadrinista. È tentador jogar a culpa toda em Lee, mas Miller faz muito pouco para além de imaginar um Batman à Marv completamente fora de controle e estabelecer um ritmo tão inadequadamente lento – a segunda edição inteira é uma conversa dentro do Batmóvel – que não permite chance de qualquer momento narrativo ser estabelecido. Para aqueles com interesse num Batman com a criatividade e habilidade dos trabalhos de Miller com o personagem nos anos 80, melhor procurar Batman Ano 100 de Paul Pope, que a Panini lançou no ffinal do ano passado em duas edições.
Por outro lado, Grandes Astros Superman é um completo sucesso. O melhor entre os trabalhos mais acessíveis de Morrisson, a revista completa o conceito básico da série ao optar por simplesmente pegar uma série de elementos icônicos do personagem e destila-los para aquilo que tem de mais importante. Cada edição se centra a partir de alguma idéia tradicional (a Fortaleza da Solidão, “Lois ganha super poderes”, a amizade Superman/Jimmy Olsen) e apresenta a versão Morrison/Quitely delas. Pode até se tratar apenas de um pastiche, mas é o mais divertido/eficaz Superman lançado em anos. A arte de Quitely é de um dinamismo e maravilhamento constante e Morrison nos apresenta uma interminável série de grandes sacadas. Para quem quiser ler regularmente uma HQ mainstream em 2007 não haverá melhor pedida.
Filipe Furtado |
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Garagem Hermética
Textos & Ilustração: Cadu Simões & Sócios Ltda
28 págs, p&b
Contato: http://gardenal.org/grilocaverna http://sociosltda.blogspot.com
Isto não é uma revista - terror
Texto & Ilustração: Cláudio Mor, Leonardo Pascoal e Thiago Cruz
36 págs, p&b
Contato: www.losergraphics.com
O diário negro do Toninho do Diabo
Texto & Ilustração: Daniel Vardi & vários
40 págs, p&b
Contato: www.editora vardi.com.br
www.toninhododiabo.com.br
Cão
Texto & Ilustração: Harriot Junior & vários
28 págs, p&b
Contato: www.studiovermis.com |
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Quadrinhos independentes brasileiros
por Franklin Ruão
Assim como na indústria cinematográfica, no universo dos quadrinhos também existem artistas independentes que, uma vez não encontrando espaço nas grandes editoras, decidem eles mesmos publicar suas próprias revistas de maneira independente e sem influência externa.
No passado essas publicações careciam de apuro técnico e artístico, agora é possível encontrar revistas de quadrinhos independentes feitas com um acabamento gráfico muito bom, além de contar com o talento de artistas que na sua maioria são desconhecidos do grande público leitor de quadrinhos, mas que possuem qualidade suficiente para despontarem no mercado.
Garagem Hermética é uma dessas publicações. Atualmente no número 02, a revista já carrega no título a homenagem ao desenhista Moebius e como ele fizeram uma revista que não se prende a nenhum gênero ou modelo narrativo. Além das mais variadas histórias e desenhos, o leitor ainda pode acompanhar os artigos do pesquisador de quadrinhos mais zen do Brasil: Nobu Chinen. Destaco na edição número 02 a história “Cidade Kemel” que fala deste estranho e longínquo bairro da grande São Paulo, contado na forma de manchetes de jornal. Vale lembrar que Cadu Simões, um dos editores, é o criador do popular super-herói Homem Grilo figura conhecida no meio dos quadrinhos independentes.
Isto não é uma revista – terror é uma interessante revista, repleta de humor e trocadilhos infames. A série Isto não é uma revista pretende abordar um tema diferente a cada edição. Neste primeiro número o tema é terror, mas graças ao trabalho da equipe de criação, o que o leitor vai encontrar é um monte de sátiras ao tema, tudo ilustrado com primor por Claudio Mor que apresenta um desenho bastante divertido e alucinado que celebra os antigos cartuns, Leonardo Pascoal que faz o estilo desenhista indie que as meninas da galeria do rock adoram e Thiago Cruz com um traço que combina com os títulos caricatos e soturnos que ilustra. Tudo isto mais o formato pocket fazem de Isto não é uma revista um quadrinho que vale a pena conhecer.
Cão é uma revista que no seu número de estréia foi buscar inspiração em temas japoneses. Com uma capa muito bem feita pelo desenhista Marcelo Manzano, que evoca uma sensualidade ideal para atrair os jovens leitores cheios de hormônios, a revista Cão pretende ser - como o cachorro - o melhor amigo do leitor. Entretanto derrapa um pouco, pois o material interno não acompanha o erotismo da capa. Acredito que isto aconteceu porque boa parte dos desenhos foram feitos por mulheres que devem ter ficado inibidas de apresentarem algo mais quente e apimentado como seria esperado em uma revista que foi buscar suas fontes na terra do Sol nascente. O quadrinho de humor no final é muito bacana e deveria ter sido mais explorado.
Para finalizar com chave de ouro O diário negro do Toninho do Diabo é outro grande lançamento. Para quem não conhece, Toninho do Diabo é um personagem criado e vivido pelo artista Antônio Aparecido Firmino. Figura bizarra misto de entidade de macumba com vampiro do terceiro mundo, Toninho do Diabo é o rei do trash brasileiro e já estrelou diversos filmes produzidos por ele mesmo, onde o forte são as cenas de tripas sendo arrancadas e sangue jorrando pelo chão.
Agora transformado em personagem de histórias em quadrinhos, Toninho do Diabo pode viver novas aventuras e promover suas atrocidades sem limitações. A edição de estréia é bem caprichada com direito a pôster central colorido e pin-up de Márcio Baraldi.
Durante a leitura não pude deixar de lembrar da saudosa revista de quadrinhos de terror nacional Spektro, que tanto sucesso fez nas bancas de jornais do país nos anos 80 e que disputava o mercado em pé de igualdade com outra publicações vindas de fora.
Vale a pena lembrar que estas revistas normalmente não são encontradas nas bancas de jornais e se você desejar adqüirir algum exemplar entre em contato com os próprios artistas nos sites das revistas.
Vamos torcer que o sucesso chegue para estes artistas independentes que lutam com todas as forças para conquistar um espaço no coração e nas coleções dos leitores. |
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Cavaleiro da Lua
Texto: Charlie Huston
Desenhos: David Finch
Panini. 100 págs. Cor
A década de 70 foi um período muito interessante para a editora norte-americana Marvel Comics que criou uma série de novos e interessantes super-heróis inspirados na diversidade social e principalmente étnica que se destacava de maneira ruidosa e por vezes violenta em meio a outrora sociedade exclusivamente branca e conservadora dos Estados Unidos.
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Personagens como Shang-Chi O Mestre do Kung-Fu (chinês), Tigre Branco (alterego de Hector Ayala, latino) começavam a aparecer dividindo espaço em revistas com outros heróis e aos poucos iam conquistando seus títulos solo.
Outra safra de heróis originava-se do universo sobrenatural, como o Motoqueiro Fantasma e Blade O Caçador de Vampiros, além de versões próprias da Marvel para monstros conhecidos como Drácula (The Tomb of Dracul) e o Lobisomen (Werewolf by Night).
Vale destacar como curiosidade que o ator Nicolas Cage que interpreta o Motoqueiro Fantasma (personagem dos anos 70) na versão para o cinema, “emprestou” seu sobrenome artístico de outro personagem também dos anos 70: Luke Cage, um negro ex-presidiário com pele de aço capaz de resistir a disparos de armas de fogo, que fez muito sucesso junto com outros heróis negros que surgiram neste período.
Foi na revista Werewolf by Night n.º 32 de 1975 que Doug Moench e Don Perlin criaram o Cavaleiro da Lua (Moon Knight). Marc Spector é um milionário com múltiplas personalidades que tem a capacidade de interagir com antigos espíritos do Egito e decide combater o crime auxiliado por seu amigo francês mulherengo que também é o piloto do seu helicóptero em forma de lua crescente. Estas histórias clássicas foram publicadas no Brasil na antiga revista Almanaque Premiere Marvel da extinta editora RGE em 1982 que durou apenas 6 edições.
Agora o Cavaleiro da Lua está de volta, mais sinistro e atualizado para os dias atuais. Com roteiro de Charlie Huston, você poderá acompanhar este triunfal retorno do personagem no fantástico desenho de David Finch que fez um excelente trabalho com os X-men da linha Ultimate e também no evento conhecido como “Vingadores A Queda” (ambos já publicados no Brasil pela Panini).
Esta tendência de resgatar personagens antigos propicia como um atrativo a mais, a republicação das histórias originais dos anos 70 que permite a uma nova geração de leitores conhecer este material clássico.
As atualizações algumas vezes trazem novos indivíduos vestindo os trajes dos antigos heróis (algumas vezes com troca de sexo, como no caso da nova “encarnação” do Tigre Branco, agora uma mulher) e muitas vezes são os velhos conhecidos de sempre adaptados para os dias atuais através de diálogos e comportamento.
Sejam nas suas versões clássicas ou atualizadas, o universo dos super-heróis continua proporcionando o prazer de reviver a nostalgia do período em que foram criados, como também a oportunidade de trazer novos leitores que ainda não conheciam estes heróis, além de incentivar o debate sobre as diferenças e condições técnicas em que cada história foi produzida e as particularidades de cada época.
Franklin Ruão |
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Bruce Lee Definitivo
Autor: Marco Antonio Lopes
Editora: Conrad
80 págs
Aforismos
Autor: Bruce Lee
Editora: Conrad
208 págs
Finalmente Bruce Lee, o mestre das artes marciais, ganha duas edições nacionais dignas da sua importância.
O primeiro, Bruce Lee Definitivo, nos leva pela fantástica jornada que fez de Bruce Lee, um ex-delinqüente juvenil, transformar-se em um símbolo vivo das artes marciais em todo o mundo.
Mais que um simples ator de filmes de artes-marciais como as novas gerações podem erroneamente pensar, Bruce Lee compreendeu que se restringir a apenas um estilo de luta era uma limitação auto-imposta e passou a treinar diferentes estilos como boxe, judô, karatê, jiu jitsu e até mesmo como se defender de ataques de faca.
Nascido nos EUA em 1940, mas criado em Hong Kong, aos 18 anos seu pai o enviou com 115 dólares no bolso de volta para os EUA. Em alguns anos ele já havia montado sua primeira academia de kung-fu em Oakland.
Sua técnica primorosa e habilidades até então nunca vista antes pelo público ocidental chamaram a atenção de um produtor de televisão e em 1966 ele roubaria a cena como o motorista e guarda-costas Kato na série Besouro Verde (The Green Hornet).
A popularidade do estilo criado e batizado por ele mesmo de jeet kune do (que significa “o caminho do punho que intercepta”) logo iriam atrair astros de filmes de ação que se tornaram seus alunos como Steve McQueen, Lee Marvin, James Coburn, Chuck Norris e até mesmo o pivô da NBA Kareem Abdul-Jabbar e o diretor de cinema Roman Polanski.
Morto prematuramente em 1972 aos 32 anos em circunstâncias misteriosas na casa de uma possível amante, Bruce Lee deixou um legado que vai muito além das artes-marciais. Seus filmes e interpretação serviriam de inspiração declarada para vários outros cineastas como Ang Lee de O Tigre e o Dragão, Quentin Tarantino que copiou o macacão amarelo que Bruce Lee usou em Jogo da Morte (Game of Death) e colocou-o em Uma Thurman em Kill Bill, além dos irmãos Larry e Andy Wachowski da trilogia Matrix e vários artistas como Jackie Chan, Jean-Claude Van Damme e Jet Li.
Quando retornou aos EUA, Bruce Lee completou seus estudos e depois ingressou no curso de filosofia da Universidade de Washington. Na vida acadêmica ele aplicou a mesma técnica empregada nas artes marciais e não se restringiu a nenhuma linha de pensamento, estudando igualmente filosofia oriental e ocidental.
O resultado de suas reflexões pode ser lido em Aforismos o segundo lançamento que mostra claramente que Bruce Lee não se restringia apenas ao aperfeiçoamento do corpo, mas buscava uma liberdade total expandindo os limites de sua mente e da compreensão da realidade.
Organizado por John Little, um dos maiores estudiosos da vida e obra de Bruce Lee, é possível compreender que ele não buscava fornecer respostas prontas tão pouco se transformar em um guru para vender a salvação ou alguma coisa do tipo. Bruce Lee queria que cada um desse o melhor de si e vivesse em plenitude rejeitando comportamentos impostos e verdades pré-estabelecidas.
Bruce Lee nunca se negou a ensinar quem quer que fosse e dessa maneira negros, hispânicos, adolescentes e idosos com mais de 60 anos puderam pela primeira vez ter acesso ao mundo do kung-fu.
Arriscando a própria vida e de sua família, ele conquistou o direito de ensinar quem quisesse e com isto toda uma geração foi introduzida no kung-fu e pode perpetuar o aprendizado de artes-marciais ao redor do mundo, graças ao esforço e sacrifício pessoal de Bruce Lee.
Acredito que este fato credencia as reflexões e pensamentos de Bruce Lee a receberem destaque em meio a uma sociedade como a nossa, onde a superficialidade, o consumismo e a hipocrisia tornaram-se valores difundidos e desejados por muitos e pessoas despreparadas ganham espaço continuamente para falar e publicar toda sorte de porcaria intitulada auto-ajuda.
A melhor maneira de terminar é deixar aqui uma amostra dos aforismos de Bruce Lee:
“Lembre-se, eu não sou professor: sou no máximo uma sinalização para um viajante perdido. Cabe a você escolher a direção. Tudo que posso oferecer é uma experiência, nunca uma conclusão.”
Vida longa para o Dragão!
Franklin Ruão |
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Quadrinhos e capas de discos

 
Em certa ocasião, Sergio Alpendre, meu amigo e editor da Revista Paisá, ficou surpreso com meu súbito interesse na capa de um cd do Kula Shaker (banda que, sabia ele, não fazia parte do meu repertório sonoro). Expliquei que o desenho da capa era do desenhista David Gibbons que, entre outros trabalhos, desenhou a famosa e mundialmente conhecida mini-série Watchmen, considerada como uma das grandes obras primas dos quadrinhos.
A lembrança deste episódio me levou a elaborar uma pequena lista de álbuns cujas capas foram criadas por artistas que trabalham principalmente com histórias em quadrinhos. Aproveite para conhecer um pouco mais sobre a capa do seu disco favorito.
- “K” (Kula Shaker): Essa foi a capa que começou toda essa história. O desenho é do David Gibbons que além de desenhar Watchmen escrito por Alan Moore, também desenhou vários outros quadrinhos disponíveis no Brasil em várias versões e editoras como Give me Liberty (Liberdade). Desenhado originalmente em preto e branco e abertamente inspirado no movimento mod, The Originals - Sangue nas Ruas (Conrad Editora) também é uma boa pedida para conhecer o trabalho deste artista. Note que na capa do álbum K do Kula Shaker, todos os personagens apresentados possuem a letra “k” no nome: Kennedy, Karl Marx, King Kong etc.
- “The Man from Utopia” (Frank Zappa): Desenho com o traço marcante e hiper realista do italiano Tanino Liberatore que criou o famoso andróide Ranxerox que vivia histórias repletas de sexo e violência ao lado de sua paixão: uma adolescente de 14 anos viciada em heroína. O trabalho de Liberatore sempre se caracterizou pela belíssima arte que retratava cenas de pornografia e hiper-violência que acumularam fãs em todas as partes do mundo. Você pode conferir este trabalho procurando pela antiga revista Animal que circulou no Brasil nos anos 90, inclusive com edições especiais dedicadas ao personagem.
- “Brick by Brick” (Iggy Pop): Aqui o artista Charles Burns faz um apanhado daquilo que costuma mostrar em suas histórias em quadrinhos: o bizarro, o sobrenatural, o desconforto diante da atração mal disfarçada pelo mórbido. Alguma das suas criações como Big Baby também podem ser encontradas nas páginas da já citada revista Animal que publicava muito material oriundo da Europa e independentes norte-americanos. Em breve a Editora Conrad pretende lançar seu mais recente e premiado trabalho Black Hole, história que mostra a disseminação de uma doença de caráter sexual em meio a crises da adolescência.
- “Cheap Thrills” (Big Brother and The Holding Company). Este é bem conhecido porque traz os desenhos do Robert Crumb, considerado o papa dos quadrinhos underground dos Estados Unidos. Nesta capa ele retratou cada componente da banda e em especial Janis Joplin por quem ele nutria desejos de ordem sexual. Vários álbuns foram lançados pela Editora Conrad com o material de Robert Crumb. O álbum Blues é todo dedicado ao envolvimento de Crumb com a música, além de histórias sobre suas experiências como músico da sua própria banda.
- “Follow the Leader” (Korn): Aqui Todd McFarlane, o criador do personagem Spawn que continua sendo publicado todos os meses aqui no Brasil, empresta seu traço sombrio não apenas para a capa do disco, mas para todo projeto visual da banda naquele período. Sua colaboração estendeu-se inclusive para o videoclipe Freak on a Leash faixa de trabalho deste álbum. McFarlane ainda colaborou desenhando o videoclipe Do the Evolution do Pearl Jam.
- “Tem Thousand Fists” (Disturbed): Novamente Todd McFarlane, que além de desenhista também ganha muito dinheiro criando brinquedos de sucesso de personagens do mundo do rock e do esporte, desenha a capa do cd e também o videoclipe da banda para a cover de Land of Confusion antigo sucesso do grupo Genesis do álbum de 1986 Invisible Touch que no videoclipe original apresentava bonecos satirizando figuras como Ronald Reagan e Madonna, além dos próprios membros do grupo Genesis.
Essa foi uma pequena lista que, espero, sirva de incentivo para conhecer e acompanhar o trabalho dos artistas quando não estão criando estas fantásticas capas que marcaram, à sua maneira, a história do rock´n´roll.
Franklin Ruão |
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