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The Adventures of Ghosthorse & Stillborn
Coco Rosie
(Touch and Go)

A partir dos anos 60, quando houve uma popularização do formato LP, e uma capitalização de uma canção de sucesso, já anteriormente lançada em compacto para puxar o Lp em que ela estivesse,

muitos mediam a qualidade de um disco pela ausência ou pouca presença de fillers, músicas que estariam ali unicamente para preencher o tempo de um LP. Um disco com muitos fillers era considerado uma enganação, pois a única música boa, ou uma das poucas boas, já havia sido lançada em compacto. Claro que esse consenso de que uma música de sucesso é a melhor do disco é sempre meio equivocado, mas é difícil não se lembrar disso ao ouvir os discos do CocoRosie. Porque tanto La Maison de Mon Rêve (2004) quanto Noah's Ark (2005), parecem sofrer desse mal, já que tudo que eu ouvia delas fazia parecer que elas eram geniais, o que foi desmentido assim que eu pude escutar seus discos na íntegra. As boas faixas existem em grande número, claro, o que é o suficiente para lhes garantir um lugar de destaqque no panorama atual. Mas fica sempre uma impressão de que algo falta, de que se fossem Eps de 25 minutos seriam muito melhores.

Em The Adventures of Ghosthorse and Stillborn, as irmãs Casady abraçam de vez o trip-hop, presente em escala mais modesta nos dois primeiros LPs. O disco todo soa como um Luscious Jackson bem menos mundano e mais etéreo, com as mesmas pitadas de Billie Holiday, mas desta vez em perfeita harmonia com a sonoridade. É realmente o passo definitivo dentro de um som mais conectado ao mundo, menos viajante, e ao mesmo tempo um som que reforça as características de rimas melódicas das vozes de Bianca e Sierra Casady. Belo exemplo disso é a faixa de abertura, "Raibowarriors", com uma fúria oriunda do hip-hop. Isso não quer dizer que as cocorosiesses estejam ausentes. "Japan" vem com força ressaltar esse lado das irmãs, um lado mais fnatástico, povoado por imagens oníricas e efeitos sonoros diversos. É como se Björk acordasse transformada em Daevid Allen (o guru do Gong), e resolvesse fazer músicas para crianças maluquinhas. "Werewolf", por falar nisso, é uma das faixas que lembram o Sugarcubes, banda anterior de Björk. "Miracle" é outra. O lado mais singelo da dupla dá as caras principalmente em "Sunshine", voz e teclado numa melodia doce e meio de ninar; em "Black Poppies", que lembra um hino desconstruído de alguma nação imaginária e melancólica; e em "Houses", a canção mais soturna do disco.

Sérgio Alpendre

 
     
 
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