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Eu os declaro Marido e... Larry
I NOW PRONOUNCE YOU CHUCK AND LARRY. (EUA, 2007). De Dennis Dugan. Com Adam Sandler, Kevin James, Jessica Biel. Universal. Projeção: 1.85:1. 110min.

A comédia grosseira é um gênero como outro qualquer. Bons filmes podem ser feitos dentro desse gênero, apesar da maior parte ser abaixo da média, como em todos os outros gêneros. Mas tem muita gente que tem preconceito, e a cada piada nojenta, ou de "mau gosto", torce o nariz, se sentindo superior àquela porcaria suja que se passa na tela. O novo veículo para Adam Sandler, dirigido por um de seus diretores de confiança (Dennis Dugan, que o dirigiu em O Paizão), não foge à regra da maior parte de suas produções: piadas politicamente incorretas, exageros absurdos em várias situações, uma noção geral de que os homens são animais invertebrados. Mas passados seus primeiros minutos, o espectador que resistir a esses sinais e procurar ver o que o filme tem além deles, descobrirá uma simpática e libertária ode ao individualismo que não agride ninguém, e ao direito à autenticidade de cada pessoa.

Ao simular um casamento gay para usufruir dos benefícios dados pela prefeitura de Nova York, dois bombeiros mexem com a maneira que todos os envolvidos com eles encaram a sexualidade - deles e dos outros. A escalação de Ving Rhames como o bombeiro durão que sai do armário depois de um tempo é o tipo de opção fácil, mas que deixa muito claro o que o filme quer dizer. Em primeiro lugar, que as aparências enganam. Em segundo, que existem gays e afetados - gays ou não -, e que todos têm seu lugar em qualquer comunidade. E em terceiro, que todos podem conviver harmoniosamente, e fazer dessa ode às diferenças uma luta por liberdade. Não é a toa que a última canção a tocar antes dos créditos finais seja "Freedom", de George Michael (outro que saiu do armário há muito tempo). A liberdade clamada pela canção, é aquela que diz que, assim como as minorias podem ter seus direitos iguais, também a grosseria tem seu lugar na comédia. Basta saber empregá-la em doses certas. Essas doses eram melhor administradas em Como se Fosse a Primeira Vez, mas Eu os Declaro... sobrevive dignamente ao perigo da indigestão.

Sérgio Alpendre
 
     
 
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