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Não por Acaso
(Brasil, 2007). De Philippe Barcinski. Com Leonardo Medeiros, Rodrigo Santoro, Letícia Sabatella. Fox. Projeção: 1.85:1. 90min.

Quando Philippe Barcinski surgiu com seus curtas era difícil negar-lhe o talento para a composição do quadro, assim como era na experiência final difícil ter grande interesse pelos seus filmes. Barcinski de certa forma parecia ter se especializado numa espécie de filmes: aquela em que as imagens perfeitamente construídas soavam melhor quando reproduzidas em fotos na imprensa do que quando posta em movimento dentro dos próprios filmes. O excesso de controle que o cineasta exerce sobre o quadro tendendo a drenar toda a energia das cenas. Não Por Acaso, o primeiro longa de Barcinski, tem a mesma tendência ao excesso de elaboração e controle de seus trabalhos anteriores (assim como o hábito de transformá-la em tema do próprio filme), a diferença que torna este longa bem mais eficaz do que os trabalhos anteriores do diretor, é que, ao colocar as suas preocupações formalistas dentro de um recorte dramatúrgico mais convencional, ele encontrou espaço para o filme respirar.

Não Por Acaso então surge como verdadeiro filme aberração: aquele que demonstra como um limite na liberdade de um cineasta pode por vezes servir como abertura para seu processo criativo. Cena por cena, podemos ver um Barcinski que combina o esforço de produzir um filme narrativo que ao menos atenda a suas obsessões formais e desse encontro retira um raro equilíbrio. Barcinski nem sempre é confortável no formato (as elipses do filme sugerem menos uma sofisticação narrativa e mais um temor de lidar com a dramatização de certos eventos), mas o filme respira como nenhum dos trabalhos anteriores de Barcinski. Sua parceria com Leonardo Medeiros, em especial, encontra o tom exato para cada seqüência. A atenção para geometria que sempre se destacou nos trabalhos inteiros é revista e ampliada num uso dos mais inteligentes do espaço cênico nas internas, mas com mais força nas externas, onde a ambiência paulistana é capturada com uma textura que raramente vemos nos filmes passados na cidade. Barcinski, ao abrir mão de alguns elementos mais radicais de seus filmes anteriores, fez não uma diluição ou um filme de compromisso, mas encontrou um equilíbrio que finalmente põe o seu talento para bom uso.

Filipe Furtado
 
     
 
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