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O DISCO PARA TODOS OS TEMPOS

 

Raspberries - Raspberries (1972)

Em 1965, com o estouro de Rubber Soul, os Beatles criaram um sub-gênero, desses que a crítica especializada adora usar de vez em quando: o power pop. Basta ouvir "Run for Your Lives", para ficar no exemplo mais elucidativo, para perceber o que era esse power pop: um estilo de pop bem acessível e roqueiro, que não se acanhava de demonstrar certa fúria, mas cuja prioridade era a melodia da música. No impróprio ano de 1972, com "Go All the Way", primeira faixa do primeiro disco dos norte-americanos Raspberries, nasceu o que fora plantado em 1965 na Inglaterra. Eric Carmen e Wally Bryson eram os nomes por trás da canção, uma perfeição nos backing vocals, na guitarra cortante, na alternância de fúria e delicadeza (algo que, anos mais tarde desembocaria em "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana). Anos atrás, numa lista com 150 músicas de power pop, muitas dos Beatles foram escolhidas, mas a número um foi "Go All the Way". Mas o disco de estréia da banda tem muito mais. "Come Around and See Me" segue com seu andamento suave, e "I Saw the Light" é outro achado, uma canção pop perfeita, com um refrão solene, levado pelos backing vocals – uma característica da banda e do power pop em geral. Mas o disco ainda reserva uma das mais lindas baladas já feitas, cortesia Bryson/Carmen: "Don't Want to Say Goodbye", faixa que resvala no rock mais pesado durante o refrão, mas nunca deixa de ser de uma beleza melancólica que é difícil de ser resumida em palavras. Só ouvindo mesmo. Assim como só ouvindo as duas outras baladas do disco, "Waiting" e "I Can Remember", para concordar que Eric Carmen – que escreveu as duas sem Bryson, é um dos grandes compositores da música pop em todos os tempos. A primeira é lenta e levada pelo piano, o que lhe confere uma melancolia bem típica dos Raspberries, sem que um arranjo imponente entre em cena. A segunda é uma pequena suíte, cuja segunda metade serviria, três anos depois, para compor o maior êxito comercial de Carmen, agora em carreira solo, o hit "All By Myself", maravilha que muitos têm vergonha de gostar. Voltando ao disco de estréia de sua banda, como resistir a "With You in My Life", composição vaudeville - à Kinks - de Bryson e Carmen? Como resistir ao rock'n'roll mais direto de "Rock & Roll Mama" e "Get it Moving", faixas que herdam dos Beatles a energia fifty dos primeiros discos? É uma estréia dos sonhos para qualquer banda. Um disco obrigatório para qualquer pessoa que se emociona com uma bela melodia. Eles ainda fariam três excelentes discos. Excelente? Talvez seja pouco. O segundo, Fresh , também de 1972, é outra obra-prima, com outra das melhores baladas já feitas: "Let's Pretend". Por não ter feito o enorme sucesso que merecia, Raspberries é uma das bandas mais injustiçadas do mundo pop.

Sérgio Alpendre

 
     
 
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