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Superbad - É Hoje
SUPERBAD. (EUA, 2007). De Greg Mottola. Com Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse. Sony. Projeção: 1.85:1. 114 min.

Mais do que um filme adolescente, Superbad é um filme sobre a adolescência. O mesmo, é verdade, vale para a maior parte das melhores comédias adolescentes das últimas décadas (com Picardias Estudantis ainda sendo o modelo fundamental). Mais do que nunca isto é verdade em Superbad, na medida que os filmes de Judd Apatow – e este filme, escrito por dois de seus protegidos e dirigido por outro certamente divide o mesmo DNA cinematográfico do seu produtor – sempre exibirem uma certa pulsão antropológica. Superbad está no seu melhor justamente quando se fecha com precisão sobre certas verdades da vida no colegial, especialmente da amizade entre os garotos e a maneira como ela existe num equilibro muito nebuloso entre afinidades e necessidade dentro da lógica social do espaço que ocupam. A primeira parte de Superbad é especialmente rica em momentos bem observados; há um olhar bastante apurado nestas cenas iniciais para a auto-imersão típica da adolescência que desemboca de maneira bem natural na forma como a narrativa foge ao controle dos personagens na medida que o filme se desenvolve.

Se há um limite porém no cinema de Apatow e seus protegidos, ele reside na maneira como este olhar é muito mais forte na maneira como estabelece um pequeno universo e o preenche com seus personagens, do que em como estes filmes organizam estes elementos dentro de uma ficção. Da mesma forma que Ligeiramente Grávidos se revelava mais frágil quando precisava – e fracassava – em reformar rapidamente seu protagonista (e a fragilidade surge não do ato de reforma-lo, mas da completa incapacidade do filme de imaginar esta reforma em termos ficcionais, a única solução possível sendo elidi-la numa montagem rápida que dispensasse com o ato de encena-la), Superbad fraqueja quando precisa por seus dois heróis numa grande jornada por bebida alcoólica, que à parte a centralidade de álcool dentro do universo deles, existe mais por um desejo de ficção pouco compatível com que o diretor Mottola e seus co-roteiristas Seth Rogen e Evan Goldberg realmente se interessam. Aqui o filme fraqueja e faz água (as cenas na primeira festa são especialmente infelizes e as únicas onde as tentativas de humor do filme nos parecem forçadas). Não surpreende que nesta parte do filme os protagonistas recendam seu espaço em favor de McLovin, seu amigo nerd ainda mais deficiente socialmente, que é a grande invenção cômica do filme (o jovem ator Christopher Mintz-Plasse foi sem dúvidas um achado da produção), como se os realizadores soubessem estar em terreno menos seguro e reconhecessem a necessidade de entregar o filme ao seu elemento mais eficaz. Quando Superbad chega a festa que nos prometia desde o começo o filme retoma aquilo que Apatow-Mottola-Rogen-Goldberg compreendem tão bem e o filme se reafirma, fica centrado e volta a observar com precisão o universo que nos apresenta.

Filipe Furtado
 
     
 
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