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| MAKING OF |
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Uma noite no bar Exquisito!
Por Alexandre Carvalho dos Santos
Editor
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Editar e participar das reportagens para uma seção sobre bares e restaurantes é exatamente o que se pensa sobre unir trabalho e prazer. Objetividade? Sim, claro. Na hora da definição da pauta. Depois, o ambiente, a companhia e as bebidas influenciam para dedéu. Reinasse a objetividade, e todo artigo sobre o Bar Léo deveria apontar o inacreditável mau humor dos garçons de lá (um dia me estendo sobre isso).
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Mas quem se lembra de carrancas depois do décimo chope perfeito, numa tarde ensolarada de sábado, petiscando canapés de carne crua e porções de parmesão?
No bar Exquisito!, escolhido para nossa última edição, a objetividade foi para o espaço por um conjunto de fatores subversivos. Fui acompanhar o autor da matéria, o artista plástico Bento Moura, junto com o fotógrafo e amigo Alexandre Xavier, que conheço desde a faculdade (ih, faz tempo...) pelo apelido de Pet (um dia me estendo sobre isso). Aí as coisas vão se misturando. O Bento é excelente papo: conversa sobre pintura, livros, cinema, comportamento, bebida com um desprendimento que disfarça o rapaz culto que é desde criancinha. O Pet era o mais concentrado do trio, porque não dá para bobear quando se precisa pensar em foco, enquadramento, posição do tripé, esposa, filhos. O bicho é responsável toda vida dentro da loucura cheia de paz e ideais que é a cabeça dele, esse George Harrison da FAAP. Mas também está lá com sua conversa calma e sorriso franco, enquanto pensa em como fotografar o balcão do bar, pelo qual o Bento caiu de amores.

Estávamos no meio das cervejas e das conversas sobre o bar e sobre tudo o mais quando eis que chega outro amigo, esse por coincidência: Mário Teixeira, roteirista da TV Globo, um dos culpados pelo Sítio do Picapau Amarelo ter voltado a encantar, anos e anos depois do sucesso nos anos 70.
Aí, se você juntar o alto astral desse grupo com as Patricias geladas (as cervejas uruguaias) do Exquisito!, o painel do Bye Bye Brasil que eles têm lá, a simpatia do pessoal que atende, o mojito bem preparado (o Bento disse que estava ótimo), o ambiente de sorrisos por todos os lados... tudo isso resultou na crônica poética do Bento, voltada para descrever a experiência saborosa que são as noites no Exquisito!, deixando a relação de preços do cardápio e a análise do atendimento do manobrista para os guias de final de semana.
Voltaremos, com certeza, então sem o bloco de anotações.
Sem fazer média, vá e experimente: Exquisito! – Rua Bela Cintra, 532 – Consolação. |
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Nosso Brian Wilson
Por Alexandre Carvalho dos Santos
Editor
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Quem já leu a edição que está nas bancas, essa da capa sobre cinema em francês, percebeu que o pessoal que edita essa revista gosta mesmo dos Mutantes. A banda aparece na seção Fotogramas, em que falo sobre o relançamento da obra completa dos bruxos pela Universal, e na seção de Discos, com uma discografia |
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comentada completa, que até inclui A Banda Tropicalista do Duprat, bolacha do maestro com participação mais que especial dos Mutantes.
Meu amor pelo som dos Beatles da Pompéia começou na época da faculdade, e a culpa é do outro editor de Paisà , Sérgio Alpendre, que na época era colecionador recordista de discos de vinil, depois de CDs, antes de, finalmente, partir para os recordes de filmes anotados em sua memória de Barsa. Eu já tinha uma coletânea chamada Algo Mais (nome de uma música da banda que inspirou o batismo de nossa editora), mas foi o Sérgio quem me chamou a atenção para a genialidade do Arnaldo Baptista, de modo que logo nos tornamos macacas de auditório dos Mutantes, ainda que eles não se apresentassem mais em auditório nenhum, já que parece que a Rita e o Arnaldo não podem se encontrar.
Na época, cantávamos juntos “Virgínia” nas mesas de botecos e de bares mais chiques e de festas e de onde estivéssemos, o que era apenas um aquecimento para que meu amigo soltasse seu festejado “dó” (a nota musical, um dia me estendo sobre isso), e o resto dos faapianos entrasse em delírio transcendental.
Uma vez, descobrimos que o Arnaldo Baptista tocaria depois de anos de reclusão num show do Sesc Pompéia, tendo A Banda do Quarto Mundo fazendo abertura, e lá estávamos nós na primeira fileira, mal acreditando que o profeta descera da montanha. Ele entrou tímido, sua voz saía fraca, sua participação durou uns vinte minutos, se muito, mas sua interpretação ao piano para “Benvinda” e “Sitting on The Road Side” era tão poderosa que não aceitamos sair do Sesc sem falar pessoalmente com ele, de modo que lá estávamos de joelhos, pedindo a benção ao mestre. Ele nos contou que estava escrevendo uns três livros ao mesmo tempo, com temas que iam da física quântica aos amplificadores valvulados, e tivemos a certeza de que o homem é um iluminado.
Nosso segundo e último encontro com o Buda do rock brasileiro foi numa vernissage, quando expôs seus quadros na pizzaria Cristal, também em São Paulo. Chegamos bem antes com outros amigos (incluindo o fotógrafo da Revista Paisà , Alexandre Xavier) e ficamos tomando nossos chopes, numa preparação espiritual para a chegada de Arnaldo. Quando o Buda chegou, todos os que estavam comportados em suas mesas se levantaram, e o local ganhou aquele ambiente de festa, o pessoal se misturando, a chegada de artistas (corri sério risco de apanhar do Paulo Ricardo, ao cumprimentá-lo quando chegou com Luciana Vendramini, de quem eu não conseguia tirar os olhos). Então, eu e o Sérgio fomos roubar flores num jardim vizinho para oferecer ao Arnaldo, sentamos ao lado dele, ouvimos suas sábias palavras, conhecemos dona Clarice, a mãe dos Mutantes (dele e do Serginho Dias), até que a bateria foi acabando e fomos para casa.
Um pouco antes da saída, percebemos um burburinho: um garçom que discutia por causa da conta com o pessoal da banda Yo-Ho-Delic (imitação desastrosa de Red Hot Chili Peppers, acho que não existe mais). O que aconteceu: os eleitos para o futuro do funk metal se apoderaram das nossas mesas e, já que ficaram com o conforto, ficaram com a conta dos nossos chopes também... e não eram poucos. Claro que aceitamos a gentileza.
Visite o site do Arnaldo Baptista: www.arnaldobaptista.com.br |
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| Tops Musicais |
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Mais de quarenta revisões em vinte dias. Mais de dez descobertas no mesmo período. Muitos girinhos na rua, sapateados à Fred Astaire em assoalhos encerados, muitas falas de entonação bizarra. Sobrevivi. Foram dias de muita felicidade, ou de anestesias, pois os musicais fazem as dores do cotidiano menores. Imaginem o que é ficar das 18h até as 4 da manhã vendo ou revendo filmes em que as pessoas pedem o sal cantando Jerome Kern, Cole Porter ou Irwin Berling. Amigos estranhavam minha leveza, ou zombavam de minha afetação. Anônimos das calçadas achavam que era pegadinha, e que havia alguma câmera escondida. Passou. Fechada a lista, o inevitável: obras-primas de fora, o que me obrigou a um box picareta de menções honrosas. E os outros, aqueles que, mesmo sendo mágicos, não possuíam aquele algo mais para fazer parte do grupo?
Este making of foi a oportunidade encontrada para compensar os inustiçados. Filmes que merecem um prêmio de consolação. São eles:
• As Garçonetes de Harvey (1948), de George Sidney
• Os Homens Preferem as Loiras (1953), de Howard Hawks
• Nasce uma Estrela (1954), de George Cukor
• Cinderela em Paris (1956), de Stanley Donen
• Essa Loura Vale Um Milhão (1960), de Vincente Minnelli
• A Hard Days Night (1964), de Richard Lester
• Cabaret (1962), de Bob Fosse
• New York, New York (1977), de Martin Scorsese
• Os Irmãos Cara-de-pau (1980), de John Landis
• Pas Sûr la Bouche (2003), de Alain Resnais
Não tem brasileiros. Nenhuma chanchada. Que vergonha! Lamento, mas só com revisão. Talvez em uma próxima oportunidade. E Jerry Lewis? Não se pode dizer que Artistas e Modelos é um musical. Bem, reclamações serão aceitas. Quer mandar sua lista? Fique à vontade.
Sérgio Alpendre |
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