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MAKING OF

A idéia da capa

Por Sérgio Alpendre
Editor

 

A capa de nossa número dois foi bem arriscada. Uma capa à lá Cahiers du Cinema, que nos deixava com ar de soberba, mas menos possibilidades de vender em bancas. Afinal, era uma revista nova, ainda desconhecida da maior parte do freqüentador de bancas, que trazia três filmes de pouco apelo comercial na capa. Queríamos testar limites, ver como seria a recepção de uma capa pouco afeita a sucessos de vendas. Mas conferir também a possibilidade de se explorar, na matéria de capa, uma filmografia tão importante quanto a francófona (filmes que falam francês), da qual o que mais se desprende são os filmes feitos na França.

     

A edição fez sucesso no seu crescente e fiel séquito de leitores atentos, e serviu para fazer com que olhassem a Paisà como algo que veio para ficar no panorama crítico brasileiro. Pena que vários filmes cobertos pela edição tenham sido adiados, alguns ainda nem estrearam (caso de Amantes Constantes , a nova obra-prima de Phillipe Garrel). Culpa da nossa querida Copa do Mundo, que, lá atrás, já provocava um rebuliço no calendário de estréias, com antecipações (poucas) e adiamentos (muitos).

Chegava a hora de pensar na sucessora, e o rebuliço no calendário das distribuidoras só fez piorar. Nossas opções eram escassas, e pouco comerciais. A solução encontrada foi voltar ao passado para resgatar a beleza do cinema de Ingmar Bergman. Lembro até hoje de quando comentei com o co-editor Alexandre Carvalho dos Santos, numa mesa de restaurante chinês bom e barato, sobre os vários bons lançamentos de Bergman no ano, e que a série ainda estava longe de terminar. Pensei que seria boa idéia fazer uma matéria de capa com o mestre sueco, e logo pensei na capa de Persona , meu Bergman favorito, e o favorito de muita gente. Depois cogitei uma capa com Harriet Anderson, em foto do filme Noites de Circo . O amigo Alexandre concordou com tudo, o que resolveu nosso problema da escolha da capa.

Críticos da novíssima geração como Filipe Furtado, Juliano Tosi e Guilherme Martins olham para o diretor com certa desconfiança. Reconhecem os grandes filmes, mas consideram o diretor irregular. O que não impediu o Furtado de fazer questão de escrever sobre Persona . Cléber Eduardo, que é de uma geração anterior, filho dos anos 60 como eu, adora Bergman, mas calhou de escrever sobre Sonhos de Mulheres , filme reconhecidamente menor, num texto que fala também da obra-prima Noites de Circo (e eu ainda acho que ele foi rigoroso...pô, Cléber, o filme merece cinco estrelas). Cid, vidrado em Saraband , filme que viu e reviu durante a Mostra de SP de 2004, completou o quadro de críticas sobre Bergman. Aliás, parece que Saraband não sai mais em cinema. Mas é certo que sairá em DVD pela Sony.

Para o texto que abre a seção, chamei o velho amigo Ernani S. Bessa, o cara que mais conhece a obra do cineasta sueco entre todas as pessoas que eu conheço. Tradutor e pesquisador de primeira, deu um brilho especial à edição com seu texto leve e informativo. Para mim, sobrou o ABC, que não me deixou satisfeito. Queria ter mais tempo para trabalhar nele, como tive no ABC Cronenberg da edição número zero. Mas não foi possível.

Ficamos bem satisfeitos com a capa. Esperamos que o leitor também tenha gostado. Um olhar mais atento aos lançamentos em DVD é necessário, de tempos em tempos, e o leitor sabe que o mercado brasileiro é bem rico em títulos, e que é difícil dar conta de tantos lançamentos. Nosso desafio é dar conta de tantas novidades da melhor forma possível.

 
     
 
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