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DÊ UMA ESPIADA
Índice #5
 
4
  Editorial /Créditos

5
  Mensagens

6
 

Fotogramas - As melhores críticas do concurso para universitários

 

13
  Festivais - Festival Internacional de Curta-metragens de São Paulo

15
  Zé Tobata

16
 

Câmera Lenta - Scarlett Johansson

 

17
 

Matéria especial - Faça você mesmo seu cineclube (parte 2)

 

18
 

Entrevista - Edgar Navarro, diretor de Eu Me Lembro

 

22
  Capa - Volver, de Pedro Almodóvar

30
  De Palma - Dália Negra
28
  Tops - Filmes Noir

30
  Longe do Circuito/Tesouro Escondido - Café Lumiére/La Cotta
33
  Ensaio - A geração das escolas, por Inácio Araujo
36
  Cinema

  Amigas com Dinheiro - pág. 41
O Ano em que Meus Pais Saiu de Férias - pág. 37
Caminho para Guantânamo- pág. 39
O Céu de Suely- pág. 36
O Crocodilo - pág. 38
Crônica de uma Fuga- pág. 39
O Diabo Veste Prada- pág. 43
Espelho Mágico - pág. 43
A Fonte da Vida - pág. 42
Pequena Miss Sunshine - pág. 42
Pintar ou Fazer Amor - pág. 41
Senhora Vingança - pág. 41
Sonhos e Desejos - pág. 37
As Torres Gêmeas - pág. 40
A Última Noite - pág. 40

44
  DVD

 

Caçador de Assassinos - pág. 50
O Corte - pág. 49
Entre o Amor e a Glória - pág. 49
Eu, Um Negro / Os Mestres Loucos - pág. 46
Fahrenheit 451 - pág. 47
Hiroshima mon amour / Muriel / Noite e Neblina - pág. 44
Jovens, Loucos & Rebeldes - pág. 47
Lianna - pág. 49
Sangue de Heróis - pág. 49
São Paulo S/A - pág. 45
33 - pág. 45
Vive-se uma Só Vez - pág. 48


50
  Os Sete Samurais (quadro de cotações)

51
  Discos

55
  Livros

56
 

Depois do Filme

 

58
 

Sala Especial - Odeon

 

 
De Palma
 

 
     

Dália Negra

THE BLACK DAHLIA.
(EUA, 2006), De Brian De Palma. Com Josh Hartnett, Scarlett
Johansson, Aaron Eckhardt, Hilary Swank, Mia Kirshner. Imagem. Projeção: 2.35:1

“De Palma é simplesmente o inocente beneficiário de uma piada cultural. É algum tipo de feito realizar uma arte com apelo junto aos puristas, às platéias menos sofisticadas, e ninguém mais”. Este é Martin Amis escrevendo um perfil de Brian De Palma à época do lançamento de Dublê de Corpo. Logo após o cineasta fazer em seqüência Vestida Para Matar, Um Tiro na Noite e Scarface, o momento que em retrospecto é tido como o “auge” da sua carreira. Mas este sempre foi o drama de Brian De Palma, não importa o filme que faça, ele está sempre fadado a ofender alguém.

Em parte isto se deve ao cineasta americano ser o caso limite de uma idéia de cinema moderno antinaturalista e implausível, e ainda por cima apresentá-lo num formato de thrillers vulgares.
“Vocês estão vendo um filme” é um credo que transpassa todos os filmes de De Palma e repeti-lo à exaustão é uma necessidade. No novo Dália Negra há duas mulheres a que todos se referem como idênticas, só que o cineasta escala duas atrizes sem nenhuma semelhança física e não faz esforço algum para disfarçar isto. O curto-circuito entre o que é dito e sua representação na tela fica maior a cada menção da suposta semelhança.

Ele provavelmente escaparia às criticas caso apresentasse suas idéias num formato visto como mais adequado para elas – de fato, as comédias underground como Greetings e Oi, Mãe!, com
as quais De Palma inicialmente chamou a atenção, são mais próximas de Godard do que de Hitchcock -, mas a maneira como o visível pode ser facilmente catalogado e se diluir é essencial para o que o cineasta propõe. De qualquer forma, ele gosta por demais de suas prostitutas, gangsteres de terceiro escalão, policiais desclassificados e perdedores em geral para abandoná-los.

Os primeiros defensores de De Palma (capitaneados por Pauline Kael) não lhe fizeram um grande favor ao tratá-lo como um grande mestre do excesso, acabando por lhe gerar uma fama de formalista impossível, cujo interesse era exclusivamente de superfície. O que está longe de ser uma descrição precisa. De Palma apenas tem pouco interesse em dramaturgia tradicional. Na verdade, seus filmes funcionam um pouco à maneira dos últimos livros de Philip Roth, menos interessados em apresentar uma história quanto em fragmentos de uma, completados por uma série de observações sobre tópicos diversos. A certa altura em Dália Negra, dois personagens observam uma pintura inspirada em O Homem que Ri, de Victor Hugo, e um deles comenta que não entende arte moderna, enquanto o outro responde “arte moderna também não entende você” e em cerca de trinta segundos o cineasta faz rapidamente uma discreta conexão entre o romantismo de Hugo, expressionismo, filme noir e seu próprio cinema. À exceção de Jean-Luc Godard, quantos cineastas são capazes de inserir uma lição de história da arte como essa em seus filmes?


 

Dália Negra certamente não vai mudar a opinião de nenhum detrator. Lá estão todas os obsessões e preferências do cineasta, assim como todas as suas excentricidades. Uma cena chave perto do final – em que temos a solução do assassinato que move a trama - é tratada como comédia de humor negro. Difícil imaginar qualquer outro cineasta que daria tal tratamento para a seqüência. Mas ela funciona perfeitamente dentro do filme, que se constrói como uma grande teia de falsidades em que Bucky (Josh Hartnett), o policial que o narra, precisa aprender a se guiar. Hartnett, um ator pouco expressivo, é usado à perfeição aqui como o policial burro e facilmente manipulável. Bucky menos resolve um assassinato famoso do que simplesmente descobre as forças que conspiram contra ele. Receber um discurso ridiculamente elaborado é a decorrência lógica disso: apontando tanto para que ele não tinha como resolver o crime sozinho, quanto para o fato da solução do crime ser menos importante do que a fábrica social de que é parte.

     

Alguns críticos reclamaram que Dália Negra é um filme muito confuso, quando na verdade o filme simplesmente confia no fora do quadro. Quase tudo de importante no filme acontece distante do olhar do insignificante Bucky (e por conseqüência do nosso), restando à câmera de De Palma filmar as conseqüências. Dália Negra é um dos poucos filmes de Brian De Palma em que o cineasta é obrigado a lidar com personagens ricos. Como em trabalhos anteriores, ele opta por um retrato em tom de humor grotesco, mas atingindo uma eficácia ausente das tentativas anteriores. A seqüência em que Bucky vai a um jantar na casa dos Linscott, a família milionária de uma das suspeitas (Hilary Swank) é provavelmente a melhor seqüência cômica da carreira de De Palma, quase toda ela filmada numa câmera subjetiva em que temos a visão propositalmente exagerada de Bucky, verdadeiras gárgulas. Esta caricatura se encaixa no retrato dos piores impulsos de Los Angeles que De Palma desenha aqui.

O filme usa como ponto de partida o assassinato real de Elizabeth Short, uma aspirante a atriz cujo corpo foi encontrado mutilado ao meio, seu sangue drenado, rosto cortado de orelha a orelha. Trata-se de um dos mais famosos crimes não-resolvidos dos EUA, sua notoriedade decorrendo tanto da violência quanto da associação mitológica que ele permite: toda a brutalização de Hollywood num único corpo destroçado. Dália Negra tem uma especificação de lugar, como em nenhum outro De Palma.

Uma história de Los Angeles, que não poderia transcorrer em nenhum outro espaço. Ao longo do filme, o cineasta inclui diversos trechos de um filme-teste de Short (Mia Kirshner), em que ela recebe ordens de um cineasta discretamente assustador (a voz do próprio DePalma). O cuidado com que De Palma e Kirshner constroem esta cena, filmada com o olhar secamente objetivo de uma câmera desinteressada, revela toda a engrenagem de moer carne de Hollywood em alguns poucos minutos distribuídos pelo filme. Esta seqüência de teste encontra seu duplo maligno num desagradável filme pornô lésbico estrelado por Short. Em outro plano, uma vista aérea liga a descoberta do corpo mutilado a um tiroteio protagonizado por Bucky e seu parceiro. Em retrospecto, percebemos como num movimento de câmera o cineasta iguala uma forma de abuso de poder (o tiroteio cujas razões tem pouca relação com segurança pública) com outra (as circunstâncias que levam uma mulher a ser brutalmente assassinada). Há todo um pensamento político neste movimento de câmera. Toda uma idéia sobre como um organismo desumanizador funciona. Nada mal, para um cineasta que permanece visto exclusivamente como mero plagiador barato.

Filipe Furtado

 

Discos
 

Caetano Veloso - Cê
(UNIVERSAL MUSIC)

 
Eis a prova definitiva da constante inventividade de um de nossos maiores artistas. Depois da obra-prima que realizou com Jorge Mautner, Eu Não Peço Desculpa, Caê resolveu espocar a cilibina. Li em algum lugar que era o disco que faria justiça a “Rock ‘n’ Raul”, empolgante faixa de Noites do Norte. É por aí. Mas é também muito mais. Desde a guitarra endiabrada de Pedro Sá na primeira faixa, a crua “Outro”. Quando já intuímos estar diante de uma senhora obra, vem a perfeita “Minhas Lágrimas”, faixa  

sublime, impecável em sua estrutura rocambolesca, uma verdadeira aula de música para expandir fronteiras. “Rocks” vem logo depois para provar que Caetano pode mandar muito bem em sua faceta Pixies. Pedro Sá novamente extrapola sua vertente de guitarrista nervoso. Bem, nem precisa ouvir o resto. Só por essas três, o disco já merece a cotação máxima. Tem mais? Tem, sim senhor. Tem “Deusa Urbana”, faixa que parece saída de Velô, ou Uns. Tem “Waly Salomão”, o mais perto que Caetano pôde chegar de Velvet Underground (em sua verve mais progressiva). Tem “Não me Arrependo”, que começa citando Lou Reed. A seqüência de canções clássicas permanece inabalável. Uma emenda na outra formando um dos conjuntos mais coesos que eu escutei nos últimos anos. Que disco poderia ter faixas tão díspares quanto “Musa Híbrida” e “Homem” e ainda assim ter coesão? Falam da capacidade que Caetano tem de escrever letras instigantes. Mas é chover no molhado. Letra é algo secundário em canções. Letra não é música. Letra complementa a música. E a música deste disco complementa um capítulo de nossa arte popular. Não se pode mais fazer misturas entre MPB e qualquer outro estilo musical sem ter esta obra como referência, mesmo que seja para negá-la. É dessa força que um artista genial como Caetano se justifica. E sua musicalidade espalhafatosa se recusa a ser represada, pois se completa sempre em construção.

Sérgio Alpendre
     
 
Depois do filme


Sobrevivendo à Mostra

Se você desmaiar de fome entre uma sessão e outra da Mostra de Cinema de São Paulo, o pior pode acontecer: perder a próxima sessão.
A Paisà dá as dicas para que esta tragédia não ocorra

por Alexandre Carvalho dos Santos

O que você faz depois do filme? Assiste a outro? Esta será a rotina de quem estiver com a intenção de aproveitar a Mostra de Cinema de São Paulo ao máximo, em longas jornadas de olhos bem abertos diante da maior variedade possível de filmes. Para não passar fome, siga esta pequena seleção de estabelecimentos recomendados pela equipe da Paisà. Na maioria, são locais na região da Paulista, em que, apenas indo a pé de grande parte das salas selecionadas, você faz uma refeição rápida e gostosa sem que pese tanto no bolso. Se você vai assistir a três ou quatro filmes, ou menos (quer passar longe das filas), as dicas continuam valendo.

Entre as sessões

Banana Split
Fica na própria Av. Paulista, exatamente ao lado do Conjunto Nacional, que abriga as duas salas do Cine Bombril. É excelente opção light para quem não tem muito tempo, ficando na duplinha suco e sanduíche. A grande atração são os sucos naturais, que podem ser de sabores como goiaba, manga, melancia, entre outros. Se está precisando de energiaextra para encarar a seqüência de filmes do dia, peça uma vitamina reforçada, que vai segurar as pontas muito bem até a próxima refeição.
 
Frevo
O melhor beirute da cidade pode vir acompanhado por um chope leve, daquele que você chega ao quinto ou sexto sem perceber. Também oferece um milk-shake irrepreensível. Dos beirutes, recomendo o de carpaccio e o italiano, com lingüiça. Se você estiver saindo de uma sessão no Cinesesc, prefira a unidade da Oscar Freire. Se estiver do outro lado da Augusta, há um Frevinho bem próximo do Espaço Unibanco, cheio de gente que, como você, acabou de sair do cinema.

Charm
Está entre uma sessão e outra do Espaço Unibanco, e sem tempo para nada? Corra até o Charm, do outro lado da rua, e peça dois pães de queijo, na promoção por R$ 1,50. Para acompanhar, um toddynho vai bem, mas os sucos também dão conta do recado neste botequinho, que faz a alegria dos notívagos (fica aberto sem interrupção). É ponto de encontro de cinéfilos e gente desencanada, além de uns pinguços que adoram atazanar a vida dos garçons.

 

 

 


 

BH Lanches
Quer ir para casa logo e descansar antes da maratona do dia seguinte? Dá para comer no balcão do BH Lanches (Augusta, esquina com a Luís Coelho) a qualquer hora, mesmo se você encarar uma feijoada, que lá é servida a partir das 20h de terças e sextas. Se a sua idéia é pegar leve, o sanduíche de queijo branco com rúcula e tomate seco vem muito bem servido, e você pode escolher entre saboreá-lo no pão francês ou no integral. Para fãs do Estadão, o BH também serve o clássico sanduíche de pernil. Difícil é dormir depois.

Bar Balcão
Paraíso dos trintões, é lugar de muito bate-papo e paquera ao longo de seu extenso balcão, que serpeia por toda a parte de baixo do bar (há um mezanino com mesas). Bons sanduíches e alguns petiscos para forrar o estômago durante as conversas sobre os filmes do dia, devidamente acompanhadas por chope ou uma taça de vinho. Na mesma Melo Alves, um pouco acima, confira os salgadinhos do Bar da Dida.

Sujinho
Velho conhecido dos cinéfilos, tem uma série de atrativos para quem quer discutir as opções estéticas deste ou daquele diretor, em um ambiente que reúne gente de todo tipo. Instalado em plena Consolação, o Sujinho fecha tarde, tem preços camaradas, e as carnes que saem de sua grelha ficam na memória (indico a maminha ou a bisteca, que fez a fama da casa). As batatas fritas, mais grossas, estão entre as melhores de São Paulo, e a salada de repolho, na entrada, é irrecusável.

 

 
     
 
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