Cinema - Cultura - Comportamento
RUPAN SANSEI: KARIOSUTORO NO SHIRO.
(Japão, 1979). De
Hayao Miyazaki
. Focus. Formato de tela: 1.85:1. 110 min.
Lupin é o ladrão ilusionista da série de aventuras que Hayao Miyazaki conduziu nos anos 1970 a partir do famoso personagem de Maurice Leblanc. Ele é um herói para lá de simpático e carismático: tresloucado, adolescente, impulsivo, bastante sentimental, indubitavelmente genial (algum elo perdido entre Peter Sellers e Clark Gable, talvez). Em O Castelo de Cagliostro , Lupin precisa salvar a princesa Clarice das garras de um poderoso playboy. Ela vive aprisionada no castelo do maligno Conde de Cagliostro, à espera de um casamento forçado. E Lupin, ao tê-la em seus braços após uma bela cena de perseguição logo no início, torna-se o herói apaixonado que não descansará enquanto não livrá-la daquele destino terrível.
O castelo que dá nome ao filme é um cenário ainda um bocado sóbrio e estático em se tratando de Miyazaki. Não voa, por exemplo. O mais interessante de O Castelo de Cagliostro é ver a infância de uma arte. A obra de Miyazaki, ali, não havia sido sacudida pelas leis de mutação e pelo lirismo alucinante que resultariam nas formas serpentinas de seus filmes recentes. Mas a principal figura de invenção do fabuloso animador japonês já está em Lupin: o jovem ladrão é um mestre do disfarce, o que permite ao diretor criar seqüências de enorme vivacidade e efeito visual.
Se por um lado não ficamos embasbacados com seres metamórficos e seus vôos ilimitados, por outro podemos apreciar um Miyazaki bastante virtuoso nos detalhes de ambiência (algo que as animações em 3D ainda penam para conseguir) e na composição das cenas de suspense. O Castelo de Cagliostro oferece a experiência de uma arte que ainda se vê pertencendo ao imaginário da literatura fantástica mais tradicional, e que deve muito de sua noção de ritmo, espaço, ação e curva dramática às aventuras épico-românticas do cinema. O cinema do século XX, quero dizer.
Luiz Carlos Oliveira Jr.
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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