Cinema - Cultura - Comportamento
(Brasil, 2007). De Paulo Nascimento. Com Walmor Chagas, Ingra Liberato. Panda. 95 min.
O cineasta Paulo Nascimento escolheu dois romances, o primeiro de Luiz Antônio Assis Brasil e o segundo de Charles Kiefer, bem distintos entre si para se transformarem em seus longas, que foram lançados em um curto período de três anos. Diário de um Novo Mundo é um malfadado drama de época que carrega sua essência no que de pior a teledramaturgia pode produzir, incluindo a escolha equivocada de elenco, a produção que não maqueia suas fragilidades e, sobretudo, a falta de esmero na realização, que sempre soa apressada. Já Valsa Para Bruno Stein é um pequeno drama familiar de aparentes pretensões opostas ao debut do diretor, mas que traz igualmente inúmeros problemas.
Uma casa de campo afastada de tudo, e localizada em uma região não identificada do sul do país, é a moradia da família Stein. Nas primeiras seqüências, um estranho chega ao local e em uma rápida conversa com o proprietário, Bruno (Walmor Chagas), consegue emprego na fabricação de tijolos. Esse princípio, repleto de artificialidade, gera a sensação de que o rapaz será o agente para mudanças no local. O desejo do realizador é até esse, porém não há nada que justifique isso em sua narrativa. É apenas um homem que busca trabalho e mal tem contato com qualquer morador; segue apenas sua trajetória paralela.
Os temas ficam bem claros em suas exposições simplórias: campo x cidade; velho x novo. Ambos são escorados em fracos embates entre os familiares; o que culmina em uma constrangedora cena de discussão no jantar na qual uma moça decide tentar a vida na cidade. É tudo tão mal encenado que parece até mesmo um ensaio para o longa. Não é mesmo através da dramaturgia que Valsa Para Bruno Stein consegue atingir às suas pretensões. Em segundo plano, caminham subtemas mais interessantes se a feitura do projeto tomasse outras feições, ou seja, o roteiro fosse reescrito e realizado por outro cineasta. Sendo assim, a questão entre sexo e religião (Luis Buñuel), tão pouco usual no cinema brasileiro, é apenas um acessório de uma jornada de libertação de seu personagem principal. Não há um plano sequer que transmita sensações: a imagem é morta, algo reforçado pela fotografia escura, e a densidade inexistente.
Por mais que se tente, a paisagem não é um personagem no filme. Até pela falta de senso entre espaço-tempo. Uma seqüência específica serve de exemplo para isso: Bruno lamenta sobre sua vida sentado em uma pedra e, ao fundo, há montanhas e rochas. Mas a grua afasta-se do personagem e um corte seco encerra o momento, que não dura o tempo necessário para que a composição pictórica seja um aspecto relevante. Bem como todo o resto de Valsa Para Bruno Stein, é mero enfeite.
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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