Accelerate
R.E.M.

(Warner)



 

R.E.M. é uma banda que perdeu o bonde? Não, claro que não.Mas a cada novo lançamento desde... vamos dizer... Up, de 1998, o burburinho quase inexiste, como se a banda já não despertasse mais sequer um pouco da expectativa da época de Automatic for the People (1992).

Accelerate, ao contrário do infeliz Around the Sun (2004), e a exemplo do feliz Reveal (2001), reencontra uma banda mais disposta a fazer música mais simples e direta, com pegada country sulista - afinal, eles são de Athens, Georgia - e a costumeira influência de Byrds. Eles estão de volta, se antecipam os mais eufóricos.

Um pouco menos. Se o disco em tom se equivale a Reveal, o melhor que eles lançaram nos últimos dez, quinze anos, em inspiração está um pouco abaixo. Uma boa balada como "Houston", com seu violão dedilhado e o teclado certeiro, um rock racha assoalho como a faixa de abertura, "Living Well is the Best Revenge", e um épico realmente irrepreensível como "Song for the Submarine" (das melhores canções entre todas da carreira da banda na Warner, quase tão boa quanto "Drive" ou "Texarkana"), não bastam para fazer do disco um retorno á forma. Eles ainda estão soando um pouco como sombras de si mesmos, numa operação meio errática e desesperada para voltar ao difícil reino pop-rock. O que Reveal tinha de diferente era justamente uma banda que parecia renovada, ensolarada, disposta a pegar a estrada para a Califórnia e encontrar os irmãos Wilson dos Beach Boys para uma jam session à beira mar. Around the Sun , apesar do título, dava meia volta antes de chegar lá, e repisava algumas soniridades cansadas que já estavam presentes em Up (1998), ainda que disfarçadas pelo tom lúgubre daquele disco.

Mas talvez a obra anterior com a qual Accelerate mais se assemelhe, por incrível que pareça, seja Green (1988), o primeiro álbum pela Warner. Novamente as faixas acústicas que remetem ao Led Zeppelin III. Novamente o capricho instrumental aliado a uma sujeira polida como o da primeira música e de "Horse to Water". Baladas, baladas e mais baladas, com algum roquinho sujo para mostrar como eles ainda podem ser crus. Só que come poeira de Green, claro. Pois é um bom disco, enxuto (tem 35 minutos no total), certeiro em muitos momentos, mas ainda está longe da melhor forma.

Sérgio Alpendre

 

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

Para comprar os números antigos da versão impressa, clique aqui.