The Bedlam in Goliath
The Mars Volta

(Universal)



 

A sensação de ouvir este disco, e outros da banda, é a mesma que eu tinha quando escutava discos do Iron Maiden como Somewhere in Time (1986)ou Seventh Son from a Seventh Son (1988). Ou seja, individualmente as faixas são poderosas, muito bem arranjadas, brilhantemente executadas. Ouvir o

disco inteiro, no entanto, pode ser uma árdua jornada, ainda mais no caso deste último trabalho do Mars Volta, que conta com "apenas" 75 minutos de duração. Felizmente, o prog-metal da banda tem muitsas camadas de psicodelia californiana, e passa muito longe do virtuosismo de bandas como Dream Theater ou Shadow Gallery. A voz de Cedric Birker-Zavala continua parecendo a do Pato Donald, após inalação de gás hélio. Mas não irrita, e se harmoniza com o instrumental facilmente. Os arranjos se beneficiam de um caos muito bem calculado, dosado na medida certa (méritos do produtor e da guitarra cada vez mais presente de John Frusciante)

Alguns pontos fortes ajudam a melhorar o estado das coisas: "Ilyena", por exemplo, encanta por ser meio caótica, quase anti-virtuosismo, ainda que se possa ouvir virtuoses em ação. Lembra algumas coisa sdo Yes nos anos 70, que de tão barulhentas desafiavem o padrão vigente do próprio rock progressivo. "Goliath" é uma demência que ora lembra o hardão setentista, ora chega perto de um Metallica fase Master of Puppets, e essa esquizofrenia é sempre saudável na música. "Tourniquet Man" é uma viagem back to 1973, uma bela balada que com certo jeitinho caberia em Angel's Egg , obra-prima do Gong. Falando em space rock, "Soothsayer" é a melhor. Lembra Gong, Hawkwind, Mandalaband e outras coisas mais que couberem no caldeirão. Os momentos mais heavy tradicional que existem aos borbotões - ao menos se compararmos com outros discos deles - em The Bedlam in Goliath também são fortes, especialmente nos riffs que introduzem a maluquice que vem a seguir (que é o que acontece em quase todas as faixas). Músicas grandes, com mudanças de andamento, é um progressivo muito doido o que propõe o Mars Volta. Pode ser bem interessante, enquanto não cansarmos de vez.

Sérgio Alpendre

 

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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