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ONE, TWO, THREE. (EUA, 1961) De Billy Wilder. Com James Cagney, Horst Buchholz, Pamela Tiffin. Classicline. Formato de tela: 2.35:1. 115 min
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O nome original deste filme de Billy Wilder é perfeito. Um, dois, três. Porque trata-se de uma comédia maluca, em que o ritmo da narrativa acompanha o ritmo do protagonista, um executivo da Coca-Cola em Berlim (James Cagney). Em quase duas horas somos submetidos a diálogos tão rápidos e cortantes que são necessárias algumas revisões para captarmos todas as ironias e críticas orquestradas por Wilder. O filme tem a velocidade de uma locomotiva desembestada, lembrando as comédias dos anos 30 que inspiraram o diretor.
Este é o único filme de Wilder a contar com James Cagney no elenco. Mas é impossível não achar que eles nasceram um para o outro. As artimanhas que o executivo arma para impressionar seu chefe e conseguir uma tão sonhada promoção ultrapassam qualquer limite ético, e é comum nos perguntarmos até que ponto ele iria para saciar seu desejo pelo sucesso profissional.
Mas quem espera encontrar farpas somente contra o capitalismo americano está muito enganado. A metralhadora verbal escrita por Wilder em companhia de seu comparsa I.L. Diamond atira para todos os lados. Há, por exemplo, um subalterno de escritório que faz a saudação nazista, por esquecimento. Quando menos se espera, ele está batendo os calcanhares. Os russos passam ainda mais longe de serem poupados. São fanfarrões herdeiros dos russos de Ninotchka (não por acaso, escrito por Wilder). A não ser, claro, o caricatural noivo da filha do chefe, interpretado por Buchholz, bolchevique dos mais empedernidos, que por uma trapaça de Cagney, a certa altura anda pelas ruas da Berlim oriental com uma bexiga enorme de desaforo aos russos.
A seqüência mais marcante de um filme recheado delas é a que mostra todo o processo de disfarce pelo qual passa o noivo bolchevique para aparentar um lorde europeu, cheio de dotes. E seu destino, assim como o de Cagney, ilustra muito bem o modo irônico com que Wilder alimenta suas comédias. Não existe ponto sem nó para seus personagens, mas nenhum deles é poupado de uma espécie de vingança dos deuses. Deuses do sarcasmo, claro.
(nota: infelizmente, o formato de tela do DVD, conforme anunciado, é fullscreen, o que é um atentado contra o consumidor e o cinema, para dizer o mínimo).
Sérgio AlpendreRevista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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