Efeito Dominó

THE BANK JOB. (Inglaterra, 2008) De Roger Donaldson. Com Jason Stathan, Saffron Burrows. Imagem. Projeção: 2.35:1 117 min.


O australiano Roger Donaldson (de Sem Saída e 13 Dias que Abalaram o Mundo ) foi à Inglaterra realizar um filme de assalto bem mundano. Essa é a maior virtude de Efeito Dominó: se alinhar a Os Quatro Picaretas, por exemplo, e não dar muita bola para construir personagens que ultrapassem limites ou se mostrem dignos das melhores aventuras. Não. Todos os envolvidos direta ou indiretamente com o assalto ao banco da Baker Street são, no mínimo, de competência duvidosa. Nenhum deles parece capaz de realizar o crime perfeito, como também não há um policial esperto o bastante para capturá-los, nem o rei da pornografia é o bam bam bam que se espera. E o que falar dos agentes secretos então? Uma comédia de erros, só que não nesse formato.

Colocando dessa maneira, parece até que o filme falha em seus intentos, mas não é o caso. Donaldson parece ter o domínio de toda a situação para desenvolver uma trama com pessoas banais. São pequenos trapaceiros, o que remete a dois filmes recentes de Woody Allen: O Sonho de Cassandra, em que dois irmãos mais do que comuns se envolvem num crime que, por ser feito por "amadores", deixa seqüelas; e Trapaceiros, em que ladrões baratos constroem um túnel para chegar ao objeto de desejo, mas descobrem que o estabalecimento montado para servir de fachada para o túnel é muito mais lucrativo do que o produto de um crime que eles não tinham talento para cometer.

Talvez exista mesmo no mais recente trabalho de Donaldson essa influência da fase inglesa de Allen, mas o que é mais certo ainda é o parentesco com um tipo de cinema aparentemente desprovido de glamour, mas que promove muita diversão. A voz feia e anasalada de Jason Stathan contribui para o charme de seu personagem, o cara que quer ser alguém, mas está, no máximo, comendo pelas beiradas quando lhe é permitido. Casado com uma mulher que ele aprendeu a amar, pai de duas filhas graciosas, se envolve num assalto muito maior do que ele tem como dar conta, e sabe disso. Sua trupe é de ingleses comuns. E eles se envolvem em algo muito mais amplo do que imaginam: a situação política da época, a entrada das drogas pesadas no submundo londrino, a ressaca da era hippie. O filme é o retrato perfeito dos laranjas que podem se dar bem por não ter a menor consciência de seus papéis.

Sérgio Alpendre
 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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