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Nick Cave
Por Sérgio Alpendre
The "aussie connection", inspirado no novo e monumental álbum de Nick Cave and the Bad Seeds. Vale tudo, até repetir artistas e colocar discos que não foram gravados na Austrália. Desde que tenham sido feitos por artistas australianos, bem entendido. O caso dos Bee Gees, que certamente teriam uns dois ou três discos na lista, é que eles são ingleses que formaram a banda na Austrália, mas só vingaram quando voltaram para a Inglaterra. Hoodoo Gurus e The Cruel Sea? Quase. Rose Tattoo? Não, obrigado. Men At Work? Só numa lista de piores. Esqueci algo? Certamente.
THE EASYBEATS - Friday on my Mind (1967)

Tinha que colocar o clássico. Apesar de preferir o disco seguinte, o inigualável e incompreendido Vigil, não deixo de admirar com entusiasmo esta pérola próxima à sonoridade Beat inglesa. Adicione uma pitada de psicodelismo e você terá um dos discos mais cultuados de 1967, criado pela dupla de compositores George Young e Harry Vanda - produtores dos primeiros discos do AC/DC (banda fundada por dois irmãos mais novos de Young).
Destaques: Friday on My Mind, Do You Have a Soul, Remember Sam.
THE EASYBEATS - Vigil (1968)

Todo mundo fala do anterior, o quarto LP Friday on my Mind . Mas neste disco eles atingiram o ápice do ecletismo com melodias tendendo para o soul, com produção propositadamente suja. Muitos odiaram na época, muitos continuam odiando.
Destaques: Come in You'll Get Pneumonia, Land of Make Believe , Fancy Seeing You, Hello How Are You.
AC/DC - Dirty Deeds Done Dirt Cheap (1976)

Seria High Voltage, se este não fosse uma coletânea dos dois primeiros LPs exclusivos para o mercado australiano. Dirty Deeds é o segundo petardo da banda (ou o terceiro segundo a discografia caseira), e o ponto alto entre os que tem produção do irmão Young e de Harry Vanda (ambos do Easybeats).
Destaques: Big Balls, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Squealer.
DAEVID ALLEN - Now It's the Happiest Time of Your Life (1977)

Muitos se dividem quanto à nacionalidade do Gong. Uns consideram-no um grupo francês, outros, inglês. O fato é que Daevid Allen, seu fundador, é australiano. Portanto, pelo menos um de seus estranhos e geralmente excelentes discos solos merece figurar aqui, nem que seja para quebrar a seqüência de cinco discos com participação da família Young.
Destaques: See You on the Moontower, I Am, Only Make Love If You Want To.
AC/DC - Highway to Hell (1979)

O grande disco da banda é o primeiro que não conta com a produção de Vanda-Young. Abandonaram o irmão mais velho para contratar um produtor de gênio: Robert John "Mutt" Lange. Como resultado tiveram o disco que inaugura a clássica batida 4x4 do AC/DC, algo que viraria marca registrada e empolgaria os fãs até hoje.
Destaques: Touch to Much, Highway to Hell, Love Hungry Man, Shot Down in Flames.
AC/DC - Back in Black (1980)

Com a morte de Bon Scott, a banda ainda se seguraria com este disco fenomenal, que conta com Brian Johnson (ex-Geordie) nos vocais. A produção continua a cargo de Mutt Lange, e o som está ainda mais lapidado que no anterior. O caminho para a fama é inevitável.
Destaques: You Shook me All Night Long, Back in Black, Shake a Leg, Given the Dog a Bone.
THE BIRTHDAY PARTY - Prayers on Fire (1981)

É a trilha do caos, não há dúvida. Nick Cave prova aqui que tem fôlego para muitos vôos dada a riqueza de sua música. Sabe ser suave ou agressivo de uma hora para outra. Isso sim é uma atitude punk consciente. Se é que a expressão faz sentido.
Destaques: Zoo Music Girl, Cry, Figure of Fun.
MIDNIGHT OIL - 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 (1982)

Não é fácil de se escutar como Diesel and Dust (1986). Nem pega tão firme na ecologia quanto Place Without a Postcard (1981). Mas é o mais forte dos discos da banda. O escopo político é ampliado. É só se acostumar com as melodias estranhas emolduradas por arranjos agressivos (Only the Strong) ou climáticos (Outside World).
Destaques: Outside World, Maralinga, Somebody's Trying to Tell me Something.
DEAD CAN DANCE - Dead Can Dance (1984)

Muitos não sabem que uma das principais bandas do selo inglês 4AD é, na verdade, um duo australiano, formado por Brendan Perry e Lisa Gerrard. Seus três primeiros discos merecem figurar em qualquer lista que tenha um traço sequer de ligação com o país de Nick Cave. Depois se afundaram um pouco na World Music e perderam o prumo. Este é o disco mais roqueiro deles.
Destaques: The Trial, Ocean, East of Eden.
INXS - Listen Like Thieves (1985)

Pop de primeira com a banda no auge depois de um disco muito bom, The Swing. Deixem os preconceituosos falando ao vento e confiram as belas melodias deste clássico do rock australiano.
Destaques: This Time, What You Need, Red Red Sun.
DEAD CAN DANCE - Spleen and Ideal (1985)

Um belíssimo disco de transição. Ouvindo os três primeiros do duo fica bem nítido que este está bem no meio entre a fúria tribal do primeiro e a atmosfera soturna do terceiro, com... concedo, um predomínio do terceiro. As duas facetas se encontram em um delicioso segundo disco.
Destaques: De Profundis, Ascension, The Cardinal Sin.
DEAD CAN DANCE - Within the Realm of a Dying Sun (1987)

Na direção de um som mais etéreo e sombrio este é o disco perfeito. Não tinha mais para onde ir, tanto é que o disco seguinte, Serpent's Egg, tem seus melhores momentos quanto mais foge deste disco sublime.
Destaques: Anywhere Out of the World, In the Wake of Adversity, Persephone.
NICK CAVE AND THE BAD SEEDS - Tender Prey (1988)

Leia aqui o comentário sobre este disco.
Destaques: The Mercy Seat, City of Refugees, Deanna.
THE CHURCH - Gold Afternoon Fix (1990)

Verdadeira pérola do pop perfeito. The Church sempre fez discos maravilhosamente simples. Boas melodias, arranjos sem firulas, batidas fáceis, vocais quase sussurrados. Heyday e Starfish são ótimos. Mas, a rigor, cada disco do Church reserva pelo menos duas músicas geniais. Este tem, no mínimo, quatro: "Terra Nova Cain", "Russian Autumn Heart", "Disappointment" e "Transient".
NICK CAVE AND THE BAD SEEDS - The Good Son (1990)

Leia aqui o comentário sobre este disco.
Destaques: Foi na Cruz, The Good Son, The Weeping Son.
CROWDED HOUSE - Woodface (1991)

Banda surgida das cinzas da neozelandesa Split Enz, fundada por Neil Finn, já na Austrália. Com melodias irresistíveis e uma mão certeira de Finn para fazer sucesso, ainda que não tenha alcance mundial, a partir de uma criatividade eclética que poucos possuem.
Destaques: Weather With You, It's Only Natural, Four Seasons in One Day.
INXS - Welcome to Wherever You Are (1992)

Depois de uma fase bem funkeada que rendeu o ótimo Kick (1987) e o bom X (1990), a banda chega a um ecletismo inspiradíssimo, que acompanha o brilhante trabalho gráfico diferente nos três formatos em que o disco foi lançado (LP, CD e Cassete).
Destaques: Heaven Sent, Not Enough Time, Beautiful Girl.
DIRTY THREE - Horse Stories (1996)

Foi desta banda única que saiu Warren Ellis, para brilhar com seu violino nos discos de Nick Cave. Este é o terceiro disco deles, e o melhor entre os que eu pude ouvir.
Destaques: Hope, Sue's Last Ride, Warren 's Lament.
THE CHURCH - Magician Among the Spirits (1996)

Da guinada experimental que a banda deu a partir do LP Priest=Aura , de 1992, este é o mais coeso. E o mais inspirado. Já na primeira música percebe-se a perfeita sintonia entre clima e voz de Steve Kilbey. Seus sussurros caem perfeitamente na viagem espacial que a banda promove em várias faixas deste disco único e desafiador, talvez o mais sombrio da carreira deles.
Destaques: Welcome, Magician Among the Spirits, Afterimage.
SILVERCHAIR - Diorama (2002)

Outrora adolescentes, agora confeitores de pop perfeito. O quarto álbum da banda é seu melhor sem sombra de dúvida. Com o auxílio de Van Dyke Parks, criaram uma das canções mais maravilhosas dos últimos anos, "Across the Night".
Nadaram, nadaram e morreram na praia
THE CRUEL SEA - The Honeymoon is Over (1993)
Este é daqueles discos simples, como são os de Chris Rea e Dire Straits, mas que te pegam de algum jeito. The Honeymoon is Over é o ponto alto do The Cruel Sea. Mas talvez demore um bom tempo para você perceber isso, pois o disco não faz a menor questão de mostrar a que veio. A comparação com Chris Rea, nessa direção, é bem apropriada, além da voz parecida, claro. Tem até um plágio de "Harlem Shuffle", em "Woman With Soul", para nos divertir. Caiu na última hora da lista principal porque, bem, não tem cacife para entrar numa lista dessas.
HOODOO GURUS - Stoneage Romeos (1984)
Um disco bem agradável como um todo, o que é difícil vindo de banda tão irregular. Mas colocá-lo numa lista de melhores, só para não repetir mais ainda os mesmos artistas, seria desonesto. Afinal, a lista é dos melhores discos, não dos melhores artistas.Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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