Cinema - Cultura - Comportamento
DEFINITELY, MAYBE.
(EUA, 2008) De Adam Brooks. Com Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Elizabeth Banks, Rachel Weisz, Isla Fisher, Kevin Kline. Projeção: 2.35:1 112 min.
Existe um belo final falso em Três Vezes Amor. Um final que faz crescer um filme todo morno. É quando Maya (Abigail Breslin) cobra o pai Will (Ryan Reynolds) o final feliz para a história que ele contava, e que dura quase todo o filme. "O final feliz é você", ele diz a ela. Ali é desarmada qualquer resistência possível ao talento da menina de Pequena Miss Sunshine, pois a expressão do rosto dela é dessas coisas que não tem como se definir com palavras. Uma expressão que justificaria até uma mudança de planos no desenvolvimento da trama (permitindo que esse final feliz da história fosse o final feliz - em termos - do filme também), uma alteração mais do que bem-vinda no esquematismo de sempre das comédias românticas atuais, cada vez mais presas a fórmulas. Ali estava mais uma compensação para a atuação limitada - como sempre - de Reynolds, para as liberdades tomadas com as motivações dos personagens, para a direção pouco imaginativa e não tão funcional de Brooks.
O filme, no entanto, continua. E, claro, Reynolds vai enxergar, com a ajuda da pequena e muito mais esperta Maya, uma possibilidade de final feliz para ele também, com um dos três amores que não deram certo no passado.
Existem muitos momentos em que o filme luta para escapar da camisa de força dos códigos do gênero, e são justamente os momentos em que há um respiro, uma arejada provocada quase sempre pelas mulheres do filme. Não é só Abigail Breslin que brilha. Isla Fisher (a irmã que se revela safada em Penetras Bons de Bico) tem grande responsabilidade por esses momentos encantadores.
Infelizmente, o filme é dominado pela onipresença de Reynolds, e sua falta de carisma impede que haja uma empatia maior com o protagonista. Por isso o interesse maior passa a ser as reações da filha Maya enquanto ele conta as histórias de amor frutradas. Um belo exemplo de forças trabalhando em sentidos opostos. Umas conseguem se libertar, outras estão sempre presas à inescapável solução fácil.
Sérgio Alpendre
Revista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
Para comprar os numeros antigos da versão impressa, clique aqui.