A Erva do Rato

(Brasil,2008). De Julio Bressane.



 

Baseado em Machado de Assis, matéria prima de um dos maiores filmes de Júlio Bressane, Brás Cubas, A Erva do Rato traz o que talvez seja a melhor interpretação da carreira de Selton Mello. Eu gosto dele em Meu Nome Não é Johnny, mas neste novo e bizarro trabalho de Bressane ele está formidável em sua concisão. 

O que se passa no decorrer dos planos estáticos, com a fotografia do Walter Carvalho se sobressaindo mais do que nos últimos Bressanes, é simples. Homem conhece mulher no cemitério, e desenvolve com ela uma relação curiosa. A curiosidade não é só do ponto de vista do espectador em direção ao filme, mas dele em direção a ela, aos mistérios do corpo feminino, à revelação do órgão sexual por uma lente fotográfica. 

Nos minutos finais, a bizarrice domina, e o filme cresce com isso. Até o plano final, de uma complexidade formal absurda para dar conta de uma ação simples, que pode ser percebida pelo barulho da máquina fotográfica. Mas esse esmero todo revela que Bressane ficou realmente deslumbrado com a técnica de Walter Carvalho. Por enquanto tudo vai bem: A Erva do Rato tem seus muitos méritos. Mas esse encanto preciosista, a curto ou médio prazo, pode significar um beco sem saída para seu cinema. Não duvido que ele possa dar marcha a ré, mas seria, de qualquer forma, uma involução.


Sérgio Alpendre
 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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