Glória ao Cineasta

(Japão,2007). De Takeshi Kitano.



Desde que Takeshi Kitano sentiu após Zatoichi um esgarçamento do seu projeto estético, ele é um cineasta em crise mergulhado num grande processo de desconstrução. Gloria ao Cineasta é uma seqüência do ótimo (e inédito por aqui) Takeshis, se naquele filme era a figura do Kitano-ator quem estava sendo desconstruída, aqui é a do Kitano diretor. Diretor este cuja obra sempre foi muito mais variada que o rótulo de cineasta de filmes de gangster a ele imposto sugere. Aqui Kitano em crise passeia por gêneros diversos do drama à Ozu ao filme de ninja, no processo nos reencontramos com o vigor de Kitano que num verdadeiro tour de force de mise-en-scene se confirma como genuíno herdeiro cômico de Jerry Lewis e Jacques Tati. É um filme duro, visivelmente terapêutico para seu cineasta que não parece muito preocupado com como iremos reagir ao que transcorre na tela. Kitano arrisca tudo neste processo, algumas situações falham, mas na maior parte do tempo Gloria ao Cineasta é um triunfo de invenção e precisão.

Filipe Furtado
 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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