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TROPIC THUNDER. (EUA,2008). De Ben Stiller. Com Stiller, Robert Downey Jr., Jack Black. Universal. Projeção:2.35:1. 107min.
Para quem acompanha – mesmo que minimamente – notícias e fofocas de filmes ainda em pré-produção, Trovão Tropical provavelmente é decepcionante. Toda informação sobre esse filme (sinopse, descrição dos inusitados personagens, etc) disponível antes de sua estréia dava a entender que ele seria especial. Possivelmente uma sátira feroz aos bastidores de Hollywood e a política bélica americana. Mas Ben Stiller nos deu pouco do primeiro e nada do segundo. As expectativas geradas por essa abundância de informação podem mesmo causar uma inevitável decepção.
O mais irônico é que – até certo ponto – um pouco de conhecimento sobre boatos e especulações de bastidores é necessário para apreciar o humor do filme. Não exatamente dos bastidores do próprio Trovão Tropical: em cada filme dirigido por Stiller, principalmente Zoolander, é preciso estar ciente e atualizado dos códigos e estereótipos da cultura representada. Ao matar o diretor do filme dentro do filme e deixar o elenco perdido na selva, Stiller deixa claro que Trovão Tropical faz graça de apenas um aspecto de Hollywood (e não do cinemão americano como um todo): os atores e o culto à personalidade deles. As piadas e situações encenadas são todas sobre o comportamento dos atores na frente e atrás das câmeras (destaque para o inesquecível diálogo sobre retardados mentais no cinema).
O pessimismo de Stiller impressiona. Ele se recusa em poupar qualquer um dos atores do filme dentro do filme, em retratá-los como exemplo a ser seguido pelos outros membros da trupe, incluindo o personagem de Robert Downey Jr – que interpreta um ator extremamente sério e premiado. Mesmo quando os personagens de Jack Black e do próprio Stiller estão prestes a ganhar sua redenção, o filme novamente chuta o pau da barraca deles.
Esse pessimismo atinge o ápice no desfecho: Trovão Tropical, o filme dentro do filme, se torna um inesperado sucesso, ganha muitos Oscars e os atores envolvidos voltam a ser prestigiados. Corta para um executivo de cinema (Tom Cruise), personagem que conspirou contra o elenco o tempo todo, esperando lucrar com suas mortes e o fracasso da produção. O executivo comemora o dinheiro que ganhou com a bilheteria de Trovão Tropical rebolando de maneira estúpida. A mensagem aqui é: os atores, seus dramas, sucessos e fracassos são irrelevantes – em Hollywood, só quem assina cheques é que sempre ganha. Eu preferia um filme sobre este executivo. Teria sido mais ácido, mais crítico e, provavelmente, melhor. Por enquanto fiquemos com Trovão Tropical.
Bruno Amato ReameRevista eletrônica semanal de cinema
Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre
Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria
Programação visual: Renan Fogaça
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