U2 3D

(EUA,2007). De Mark Pellington e Catherine Owens. Playarte. Projeção: 1.85:1. 85min.



Já alardearam que o futuro do cinema está no 3D. Ao menos nos Estados Unidos, inúmeras salas estão se equipando com a tecnologia que apresenta uma nova forma de entretenimento dentro da sala escura. Aqui no Brasil, a experiência ainda é restrita para poucos, pois a quantidade de salas não chega a uma dezena. Entretanto, o sucesso da aventura Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig, fez com que os exibidores reflitam sobre o investimento na área, ainda com custos elevados, mas de retorno garantido. Até porque ainda não é possível experimentar a mesma sensação em casa, por mais que isso seja tentado com óculos de celofane.

Após A Lenda de Beowulf, de Robert Zemeckis, que explorava bem as potencialidades do efeito 3D em uma aventura simples, porém eficaz junto ao público, e da refilmagem de ficção científica supracitada e estrelada por Brendan Fraser, chegou a vez do circuito nacional abrigar um show nesse formato. As apostas para quem realizaria a façanha poderiam recair, por exemplo, em cima do Kiss, a banda de rock mais caça-níquel do mundo, mas a tarefa foi levada à cabo pelo U2, que hoje é considerada por muitos o maior grupo de rock do planeta. Ao menos, seus shows são produções gigantescas voltadas para grandes públicos e, porque não, inúmeras salas de cinema.

A direção do projeto ficou com a dupla Catherine Owens e Mark Pellington, também realizador de cinema (O Suspeito da Rua Arlington), que registraram sete shows da turnê Vertigo, com inúmeras câmeras em 3D para obterem diversos ângulos da banda e conseguirem imprimir unidade na sala de montagem; tarefa que foi alcançada a contento.

A porção messiânica de Bono - que incomoda algumas vezes, mas é inegável seu domínio do público - até aparece no filme, só que o direcionamento está em colocar o espectador próximo da apresentação do U2 em uma sucessão de músicas, sem delongas entre elas. A verdade é que nada supera a emoção de se estar bem próximo de um ídolo, entretanto, isso é privilégio de poucos fãs. A tentativa, ainda que não totalmente bem-sucedida, do projeto é permitir que um maior número de pessoas tenha essa sensação de impacto e catarse. Só que o artificialismo é preponderante e a experiência do 3D é logo codificada, e uma repetição de tomadas se sucedem. A sensação final é de que a tecnologia não foi explorada nem a metade de sua capacidade: a interação entre animações, vídeos e a banda é reduzida. E a questão de deslocamento espacial é bem mais comportada do que os dois títulos anteriores. Mas, realmente, isso parece ser só o começo de uma nova era.

Leonardo Luiz Ferreira

 

 

Revista Paisà

Revista eletrônica semanal de cinema

Editada por Filipe Furtado e Sérgio Alpendre

Redatores: Alexandre Carvalho dos Santos, Allan Peterson, Bruno Amato Reame, Bruno Andrade, César Zamberlan, Cléber Eduardo, Eduardo Valente, Fernando Watanabe, Francis Vogner dos Reis, Francisco Guarnieri, Gilberto Silva Jr., Guilherme Martins, José Oliveira, Juliano Tosi, Leonardo Luiz Ferreira, Liciane Mamede, Lila Foster, Luiz Carlos Oliveira Jr., Luiz Soares Junior, Marcelo Miranda, Paulo Santos Lima, Ruy Gardnier, Tatiana Monassa, Tiago Faria

Programação visual: Renan Fogaça

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