Filmes na TV - de 26/11 a 02/12
26/11
Já disse aqui que a rede Telecine, mesmo a milhas da boa época em que passava ciclos de Satyajit Ray ou Ernst Lubitsch, melhorou um pouco, e hoje tem, em seus canais, sempre ao menos uma boa opção por dia. Pelo menos eles ainda não adotaram a norma ridícula dos canais Cinemax de não passar filmes em p&b (talvez a norma seja não passar filmes anteriores a 1970, o que é ainda mais ridículo). Daí a predominância de indicações dos canais Telecine. Nesta semana não é diferente. No Telecine Cult todos os dias tem coisa boa passando. Tirando as reprises exageradas (uma constante na TV paga), sempre sobra algo interessante de se ver ou conhecer. Neste dia, por exemplo, tem Fitzcarraldo, para aproveitarmos que Werner Herzog logo estará de volta a nossos cinemas e vermos um de seus filmes mais cultuados. Passa às 12:05. Bem mais tarde, às 00:00, no mesmo Telecine Cult, a obra-prima A Menina Santa, de Lucrecia Martel, um filme que não perde muito se exibido em tela cheia, e um primor de direção de uma das mais talentosas autoras do cinema latino-americano. Ainda dá tempo de passar para o Canal Brasil para ver o sempre agradável Iracema, Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanski, às 2:00.
27/11
Navamente a rede Telecine. No Premium, às 22:00, o mais recente filme de Pedro Almodovar, Volver, filme deliciosamente sussurrado, com segredos vindo à tona e salvando relações familiares. No Telecine Cult, três indicações de primeira. Às 14:00, mais um filmaço de Fritz Lang - entre tantos que o canal tem exibido: Os Conquistadores, seu segundo western. Logo em seguida, às 15:50, o essencial Sua Última Saída, de Raoul Walsh. E às 23:45, o sempre reprisado, mas igualmente essencial, Roma, de um diretor que parece ter saído de moda, mas é hiper talentoso: Federico Fellini.
28/11
Finalmente algo digno de indicação no Cinemax. Ainda que não seja de seus melhores trabalhos, Lone Star é de John Sayles, diretor sempre interessante. Passa às 12:45. Mudando para os Telecines, no Premium, às 18:10, você pode ver Orgulho e Preconceito, a bela estréia de Joe Wright, com a estrela que está se tornando sua musa: Keira Knightley. Se você não estiver gostando, ou quiser algo mais movimentado, pode passar para o Action, que iniciará, às 19:55, um filme interessante do irregular Jim Sheridam: O Lutador, com uma interpretação excepcional de Daniel Day-Lewis, e a presença da sempre boa atriz Emily Watson. Se preferir algo mais denso, no Cult, às 20:20, vai passar um dos mais impactantes filmes de Ingmar Bergman: A Hora do Lobo. Caso a escolha seja esta, talvez dê para ver o belo filme de Wright inteiro, seria uma sessão dupla bem pesada, mas recompensadora.
29/11
Cinemax novamente, mas existe a temeridade do formato errado. E, em se tratando desse canal, é quase certo que haverá mutilação do campo de imagem. 2046, de Wong Kar-wai, foi filmado em scope, e deveria ser exibido com tarjas grandes em cima e em baixo da tela. Se isso não acontecer, ignore o filme (que passa às 17:45) e deixe para vê-lo em DVD. Mas vamos dar uma chance ao canal e sintonizar nele nesse horário, ok? Antes, no Telecine Cult, às 13:40, um dos grandes filmes de Charlie Chaplin, mas que muita gente insiste em diminuir: Um Rei em Nova York. Às 23:55, um dos filmes mais polêmicos e escandalosos de Paul Verhoeven: Sem Controle, que talvez seja mais conhecido pelo nome original, Spetters, não está entre os melhores trabalhos do diretor na Holanda, mas é um filme a se reter, pela crueldade no retrato dos jovens, e pela incrível habilidade na hora de encarar a tragédia que ocorre com um deles.
30/11
No Eurochannel, outro canal que não é nem sombra do que já foi, a estréia de Transe, filme de Teresa Villaverde que tem defensores apaixonados. Nunca vi, mas a diretora me interessa, ainda que nunca tenha me encantado com os filmes anteriores (exibidos em Mostras passadas). O filme passa às 22:30. No Telecine Cult, uma trinca bem interessante. Às 18:20, um dos melhores filmes da série que Roger Corman adaptou de Edgar Allan Poe: O Corvo. Não sou tão entusiasta da série, e do cinema de Corman em geral, mas melhor que esse só O Castelo Assombrado, que o canal já exibiu no passado, e deve voltar a exibir logo logo. Às 20:00, outro Bergman imperdível: Vergonha; e às 23:55, é hora de conferir um filme anterior de Joseph Cedar, de quem pudemos ver na Mostra o bom Beaufort. Trata-se de Fogueira, filme de 2004, anterior ao Campos de Batalha, exibido na Mostra de 2005.
01/12
Só Telecine, de novo. No Cult, mais um Fritz Lang imperdível. Um Retrato de Mulher passa às 14:30. Logo depois, às 16:45, um dos melhores filmes de Charlie Chaplin, A Condessa de Hong Kong, com atuações brilhantes do casal insólito formado por Marlon Brando e Sophia Loren. No Premium, às 00:00, é a vez de conferir Dália Negra, penúltimo filme do sempre obrigatório Brian De Palma.
02/12
Domingo é dia de ver filme com toda a família, pelo menos depois do almoço, quando você está mais disposto a relaxar do que a se entregar a um dramalhão. Nada melhor do que sintonizar no Telecine Cult, às 15:40, para ver A Viagem de Chihiro, obra-prima do mestre de animação Hayao Miyazaki. É um filme que serve para crianças e adultos, pois não infantiliza as possibilidades dramáticas do enredo, e mesmo sua fantasia, que é farta, e sempre muito criativa, funciona num registro pouco usual, que não encontramos em filmes estritamente infantis. Não conheço uma criança que tenha visto o filme e não tenha gostado. Se o Maxprime tivesse o hábito de passar os filmes no formato em que eles foram concebidos, dava para ver, às 22:30, A Vida Marinha com Steve Zissou, filme anterior de Wes Anderson, que atualmente está com seu novo filme em cartaz, o belo Viagem a Darjeeling. Lembre-se, se estiver sem tarjas, não veja.

4 Comentários:
Aqui do interior,ou seja, bem distante dos debates,etc, do cume do meu isolamento cinefílico, me parece também que Fellini perdeu um bocado do prestígio.E sinto que isso tenha ocorrido com Bergman também.Será verdade,Sérgio?A contracampo, pelo que vi, não soltou um mero pum pro sueco pra ao menos lembrar de sua existência.Atitudes reativas?O gosto de ser do contra?Ou realmente uma revisão mais atenta?Infelizmente,essa segunda hipótese não parece se confirmar tão bem, pois poderiam haver novas análises desses filmes com novas óticas sendo divulgadas, já que esses diretores continuam sendo mito, de uma forma ou de outra.
Me lembro de Vergonha como um filme de certa força.Bergman é sempre denso e sabe impor sua densidade.Isso, por si só, é suficiente pra se fazer um grande artista?Vergonha é dos filmes dele que menos me marcaram.
Sempre bom lembrar do Retrato de Mulher, tem uma ironia, um humor bem fino ali,coisa digna de mestre que sabe contrastar muito bem o peso do argumento.
Ah, esses Chaplins menos vistos são os que pedem mais comentários.Um Rei em Nova York é o único dele que ainda não consegui ver,mas "A Condessa",quando vi, achei formidável.
A Condessa e Monsieur Verdoux são meus preferidos, junto dos mais famosos Tempos Modernos e O Grande Ditador
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