Domingo, 10 de Junho de 2007

O poder da imagem na TV

O lance protagonizado por Edmundo na partida entre Palmeiras e São Paulo e suas subseqüências, o acionamento do STJD para julgá-lo e sua sentença seguem gerando discussões interessantes. Um fato muito pouco exposto pela midía imprime com clareza o que me parece evidente: o STJD foi acionado na mais alta velocidade, mas o autor não foi o São Paulo, e sim um promotor que assistiu ao lance. É evidente que o clube seguiu atrás o mais rápido possível, mas o mero fato de que um espectador, alguém que diante daquelas imagens tenha se movimentado para produzir um processo baseado nas imagens, superando na agilidade até mesmo quem se saiu lesado na questão, cria uma noção forte o bastante para que comecemos a questionar o tamanho do impacto da TV no futebol hoje.

Porque se é evidente que a transmissão televisiva trouxe mudanças radicais na forma de se ver o futebol, este episódio trás mais uma vez para o centro a autoridade e de que forma podemos respeita-la. Não há muito o que se discutir a respeito do lance em si, além de dizer que não perde de forma alguma para os piores problemas de comportamento de Edmundo ao longo de sua trajetória vencedora porém tortuosa no futebol mundial. Sou seriamente contra a punição dos árbitros de forma geral, e cito como um ótimo escrito a respeito do assunto um recente post do jornalista André Kfouri em seu blog (http://blogol.blig.ig.com.br), onde de forma resumida ele defende que não se proiba os árbitros de apitarem baseado em seus erros, tendo em vista que isso é proibir alguém de trabalhar. O método mais próximo do ideal é aquele em que os árbitros mudam de escala, apitando jogos menos importantes durante um período, mas não deixando assim de ganhar o seu sustento. É um procedimento até comum, deixando as virulências para parte considerável da imprensa (inclusive a boa imprensa em alguns casos), infelizmente sempre tratando os árbitros como se estes atrapalhassem o futebol, e não como aquilo que são, pessoas fundamentais para que ele possa existir.

Tudo isso para dizer que este poder da imagem, que se espalha cada vez mais, suas repetições infinitas, o YouTube e similares lhe dando eternidade - como julga-las de forma que a arbitragem não perca o seu valor, o seu respeito. Deixo como uma questão em aberto, ainda sem muita certeza do que penso sobre ela. Tenho certeza apenas de que deve se tomar um cuidado muito grande diante do julgamento delas, ou do que se deve julgar posteriormente. Um lance que a arbitragem não vê, certamente merece uma visão; um lance que ela vê, merece?

Obs.: no caso supracitado, o árbitro viu e deu falta de Edmundo em Miranda mas não lhe deu qualquer cartão pelo lance; muito se defendeu que ele estava distante, sem uma boa visão do lance, mas da mesma forma que defendo que a arbitragem não fique sem trabalho, espero que eles pelo menos tentem o realizar da melhor forma possível, o que seria estar próximo do lance e ver o absurdo que se deu em campo.